Evidência Inicial: Perspectiva Histórico-Bíblica sobre a doutrina Pentecostal do Batismo com o Espírito Santo

SUMÁRIO

Dedicatória                                                          

Colaboradores                                                    

Introdução do Editor                                                 

Parte I: A Evidência Inicial na Perspectiva Histórica

  1. A Evidência do Espírito: As Igrejas Primitivas e Orientais

Stanley M. Burgess

  1. A Evidência do Espírito: As Igrejas Ocidentais Medieval e Modernas

Stanley M. Burgess

  1. Edward Irving e o sinal permanente do Batismo no Espírito

David W. Dorries

  1. Línguas Iniciais na Teologia de Charles Fox Parham

James R. Goff, Jr.

  1. William J. Seymour e a evidência bíblica

Cecil M. Robeck, Jr.

  1. Hermenêutica Pentecostal Primitiva: Línguas como Evidência no Livro dos Atos

Gary B. McGee

  1. Exposições Populares de Evidência Inicial no Pentecostalismo

Gary B. McGee

  1. A Evidência Inicial e o Movimento Carismático: Uma Avaliação Ecumênica

Henry I. Lederle

Parte II: A Evidência Inicial e o Texto Bíblico:
Quatro Perspectivas

  1. Alguns Novos Direcionamentos Hermenêuticos na Doutrina do Pentecostalismo Clássico da Evidência Inicial

Donald A. Johns

  1. Um olhar Pentecostal Unicista da Evidência Inicial 

Jimmy L. Hall

11. Normal, mas não Norma: A Evidência Inicial e o Novo Testamento

Larry. W. Hurtado

12. Evidências do Espírito, ou o Espírito como Evidência? Algumas Reflexões Não-Pentecostais 

Ramsey Michaels

Adendo à Reimpressão de 2008

Línguas Evidenciais: Um Ensaio sobre o Método Teológico

Robert P. Menzies

Índice Remissivo                                               .

Índice de Fontes Primitivas                                               .

INTRODUÇÃO DO EDITOR

Em 1969 um astuto observador do cristianismo ao redor do mundo, observou: “Quando falamos dos Pentecostais, não estamos lidando com uma ‘seita’ obscura, nascida quase setenta anos atrás numa pequena cidade do centro-oeste, mas lidando com um movimento que abraça o mundo inteiro. [...]”[1]

De fato, quando visto a partir de uma perspectiva internacional o Pentecostalismo pode agora ser considerado como o reavivamento mais influente do Século XX.[2] É interessante notar, entretanto, que poucos poderiam ter previsto na primeira década deste século que suas energias espirituais um dia agitariam as confortáveis pretensões de muitos cristãos sobre o ministério do Espírito Santo, acendendo uma significativa dispersão missionária, ou dominando a atenção de especialistas em crescimento de igreja além de muitos oficiais denominacionais das igrejas históricas. Ainda, este movimento de renovação do Espírito superou barreiras raciais, culturais, e sociais, redespertando a vida da igreja focando na necessidade de todo crente de ser batizando no Espírito para o testemunho cristão, e encorajou o ministério dos dons do Espírito (1Co 12-14) dentro de muitas comunidades de fé.

No cenário norte-americano, ele veio a ser identificado com rótulos tais como, Apostólico, Fé Apostólica, Assembleias de Deus, Igreja de Deus (Cleveland, Tennesse), Igreja de Deus da Profecia, Igreja de Deus em Cristo, Comunhão das Assembleias Cristãs, Evangelho Quadrangular, Evangelho Pleno, Estandarte Bíblia Aberta, Assembleias Pentecostais do Canadá, Holiness Pentecostal e Pentecostal Unido. A estes, poderíamos ter adicionado os nomes de milhares de congregações independentes.

A ocorrência do reavivamento no Bethel Bible School (Escola Bíblica Betel) em Topeka, Kansas, em janeiro de 1901, mergulhou o radical pregador holiness Charles F. Parham e seus seguidores num movimento de renovação que logo se espalhou por todo o centro-oeste. Os reavivamentos subsequentes extraíram sua inspiração dos acontecimentos em Topeka, porém, mais notavelmente, do influente reavivamento da Rua Azusa, em Los Angeles. E a despeito das origens imprecisas do avivamento, a notícia se espalhou com uma velocidade surpreendente, especialmente depois de 1906. Apoiadores zelosos logo anunciaram a notícia de que a “chuva serôdia” pentecostal estava sendo derramada nos últimos dias antes do retorno iminente de Cristo, tal qual o profeta veterotestamentário Joel havia predito (Jl 2:28-29). Reavivamentos importantes no País de Gales (1904), na Índia (1905) e na Coréia (1907) foram considerados exemplos comparados com a chuva de poder do Espírito Santo que os crentes logo relataram de lugares tão distantes como o Chile, a África do Sul, Estônia, Alemanha, Escandinávia e Inglaterra. Os participantes no movimento incipiente testemunharam receber o batismo do Espírito exatamente como os cristãos primitivos tinham no livro de Atos.

Para os primeiros pentecostais, a igreja do Novo Testamento em todo seu poder apostólico e pureza estava sendo restaurada. A edição de setembro de 1906 de The Apostolic Faith [A Fé Apostólica], publicada por líderes na missão da Rua Azusa, de onde o jovem movimento começou a adquirir dimensões internacionais, anunciou animadamente que “o Pentecostes certamente veio e com ele as evidências bíblicas estavam se seguindo, através de muitos sendo convertidos, santificados e cheios do Espírito Santo, falando em línguas como aconteceu no dia de Pentecostes […] e o verdadeiro avivamento apenas começou”[3]. De fato, em apenas algumas décadas, o pentecostalismo provou ser uma força espantosa e vigorosa na cristandade, surpreendendo por seus notáveis sucessos na evangelização.

As raízes históricas do pentecostalismo são atribuídas a John Wesley e John Fletcher, que sustentavam que cada crente deveria ter uma experiência pós-conversão de graça. Os defensores Holiness wesleyanos definiram isso como a santificação do crente, proporcionando a libertação do defeito na natureza moral que provoca o comportamento pecaminoso. Os cristãos, portanto, poderiam espelhar o “perfeito amor” de Jesus, tendo recebido uma perfeição de motivos e desejos (1 Co 13). Rotulado como o batismo no Espírito Santo (a “segunda bênção”), ele elevou os cristãos a um patamar de maturidade espiritual (gradualmente ascendente). Seguidores da controversa marca da santidade do batismo pelo Fogo consideraram três experiências de graça, com o segundo para a santificação e o terceiro (batismo do Espírito Santo e fogo) para a capacitação espiritual. Alguns da tradição Reformada, no entanto, discernindo a santificação como um processo ao longo da vida, definiram a experiência subsequente (batismo no Espírito Santo) equiparando-a com poder para o testemunho cristão.

Enquanto muitos adotaram vários tons de teologia holiness no século XIX e professaram ser “santificados”, surgiram naturalmente perguntas sobre as “evidências” (tanto internas quanto externas) dessa experiência.

Quando Parham e seus alunos de Topeka testemunharam falar em línguas (ou seja, xenolalia [línguas estrangeiras não-aprendidas]), eles acreditavam ter encontrado a solução para a questão da evidência, tendo sido providos com línguas estrangeiras para agilizar a evangelização do mundo. Junto com as línguas veio um amor maior pelos perdidos, bem como a capacitação para testemunhar. Tendo discernido um paradigma para a expansão da igreja no livro de Atos, os pentecostais concluíram que os dados bíblicos confirmam a necessidade de línguas (mais tarde consideradas por muitos como sendo glossolalia). Embora Marcos 16:17-18 e 1 Coríntios 12-14 também tenham servido como fontes vitais no desenvolvimento da teologia pentecostal, o apelo ao “padrão” no livro de Atos permaneceu primordial, fornecendo o modelo apostólico para este movimento mundial.

O pentecostalismo, portanto, é certamente mais do que as designações de seus seguidores, a composição sociológica de seus constituintes, o misto de políticas que caracterizam suas estruturas organizacionais e o culto entusiástico que marcou seus ajuntamentos. Independentemente de outras características que possam ser legitimamente citadas, não se pode compreender inteiramente a dinâmica subjacente ao movimento sem examinar o seu ritmo espiritual: o núcleo enfatiza o batismo no Espírito Santo e “sinais e maravilhas” (exorcismos, curas, profecia, línguas e interpretações, palavra de conhecimento, etc.). Para milhões de pentecostais, o batismo do Espírito significa capacitação para o testemunho cristão; e uma grande parte deles insiste em que esta obra da graça deve ser acompanhada do falar em línguas como exemplificado pelos primeiros discípulos em Atos 2, 10 e 19. De fato, as oportunidades de liderança em muitas denominações pentecostais e congregações locais são frequentemente oferecidas apenas para àqueles que tiveram a experiência com a glossolalia, talvez marcando o único momento na história cristã, quando este tipo de experiência carismática foi institucionalizada em uma escala tão grande.

Deste ponto de vista, a glossolalia representa uma “linguagem de espiritualidade experiencial, em vez de teológica”[4], catalisando um despertamento mais profundo da orientação e dos dons do Espírito na consciência do indivíduo para glorificar a Jesus Cristo e construir sua igreja. Como então a teologia pentecostal e a teologia evangélica diferem? Obviamente, eles compartilham muitas crenças: a confiança na credibilidade e autoridade das Escrituras, a compreensão forense da justificação pela fé, a Trindade (com exceção do Pentecostalismo Unicista), o nascimento virginal, a ressurreição e a segunda vinda de Cristo, bem como outras doutrinas-padrão da igreja primitiva, a Reforma Protestante e, mais tarde, ao reavivamento Protestante. As crenças pentecostais sobre o batismo do Espírito e as manifestações contemporâneas dos dons do Espírito, no entanto, geralmente se recusaram a encaixar confortavelmente dentro dos limites racionalistas de grande parte da teologia e da espiritualidade evangélica.

Além disso, os pentecostais precisam envolver-se em mais reflexão teológica para explorar todas as dimensões da obra do Espírito Santo na teologia bíblica, corrigindo a dimensão negligenciada do ministério do Espírito na teologia cristã[5]. É que os pentecostais foram levados por uma urgência escatológica de evangelizar e dedicaram pouco tempo ou interesse em discussões acadêmicas de teologia. Com notáveis exceções nos últimos anos, eles geralmente deixaram uma exposição bíblica e teológica sob a responsabilidade de outros estudiosos evangélicos, confiantes na integridade desses homens ao lidar com as questões cotidianas, mas assumindo ingenuamente que os ensinamentos pentecostais poderiam ser facilmente integrados com algumas dessas formulações sem minar as crenças do pentecostalismo. Ainda mais prejudicial, ao negligenciar a reflexão e a pesquisa, bem como ao continuar a enfatizar a experiência pessoal acima da pesquisa acadêmica, os pentecostais permitem que um anti-intelectualismo subjacente continue a minar a força do movimento.[6]

Assim como a qualidade da vida humana é aprimorada pela nutrição e pelo exercício, a continuidade da vitalidade das doutrinas-chave (ex., o batismo no Espírito Santo) nas comunidades de crentes é sustentada através do estudo contínuo das Escrituras e da reflexão teológica, além da prática da piedade. Vários fatores importantes, portanto, estão por trás da publicação desta coleção de ensaios.

Primeiro, o papel da glossolalia no batismo do Espírito permaneceu um ponto de controvérsia ao longo dos anos. Enquanto isso, os historiadores obtiveram mais clareza sobre movimentos carismáticos do passado. e examinaram novamente as perspectivas teológicas das figuras imponentes do Pentecostalismo primitivo tais como Charles F. Parham e William J. Seymour, ao passo que também estudaram o desenvolvimento dos ensinamentos distintivos do Pentecostalismo e os pontos de vista dos carismáticos – os parentes mais próximos dos pentecostais – sobre o papel da glossolalia na vida do crente. Além disso, uma nova geração de estudiosos bíblicos pentecostais aborda sua tarefa com um conhecimento muito mais teológico e exegético do que seus antepassados, sem diferenciar necessariamente as marcas da doutrina. Por conseguinte, esses estudos podem enriquecer a autocompreensão doutrinária do movimento pentecostal.

Segundo, enquanto as declarações confessionais da maioria das denominações e agências pentecostais citam as línguas como a evidência inicial do batismo no Espírito, a prática real de falar em línguas diminuiu dentro das fileiras. O estatístico David B. Barrett sugere que somente 35% de todos os membros das denominações pentecostais realmente falaram em línguas ou a continuaram como uma experiência contínua[7]. Se essa porcentagem é apenas remotamente precisa, ela ainda demonstra uma certa ambivalência sobre a natureza constitutiva das línguas mesmo dentro das fileiras do clero, a hesitação foi detectada – uma pesquisa recente de ministros dentro das Assembleias Pentecostais do Canadá encontrou:

Um grupo de ministros pentecostais está emergindo, que é visivelmente diferente da norma tradicional. Eles têm 35 anos ou menos e são bem educados nas áreas de teologia. Eles basicamente afirmam todas as doutrinas importantes, mas são menos dogmáticos em seu apoio a eles. Por exemplo, alguns deles não insistiriam que alguém não é cheio do Espírito, a menos que ele ou ela tenha falado em línguas.[8]

E de importância considerável é o fato de que os líderes da igreja nas denominações como as Assembleias de Deus (EUA), Igreja de Deus (Cleveland, Tennesee) e Igrejas Bíblia Aberta têm achado necessário ao longo dos anos instar seus ministros a permanecer fiéis na pregação e no ensino da indispensabilidade do batismo pentecostal com a evidência do falar em línguas para cada crente.

Ao analisar o impacto do pentecostalismo primitivo sobre a recente renovação carismática nas igrejas, o historiador H. Vinson Synan observa que “embora a maioria dos novos pentecostais não tenha adotado a teologia da evidência inicial de Parham, tendiam a orar e a cantar em línguas de modo ainda mais ardente do que os seus antigos irmãos e irmãs pentecostais clássicos”.[9] Pode-se concluir que os pentecostais tradicionais, portanto, se tornaram frios espiritualmente e precisaram ser ressuscitados. Embora esta possibilidade não deva ser ignorada, o registro da história da igreja demonstra que a certeza doutrinal também diminui quando questões cruciais não são respondidas de maneira adequada. Ironicamente, as doutrinas podem então deixar de ser sinalizadores de vitalidade espiritual e teológica para “chiboletes” de aceitação, servindo novas e potencialmente decisivas funções dentro do corpo de Cristo.

O perigo do engessamento doutrinário é ilustrado a partir de um relato do famoso missionário jesuíta, Matteo Ricci (1552-1610). De acordo com um historiador, quando Ricci e sua comitiva chegaram à China, eles mal encontraram um traço de cristianismo deixado do trabalho de missionários anteriores. Quando Ricci ouviu falar de pessoas que adoravam a cruz, foi-lhe dito que “nem mesmo os que o adoravam sabiam por que o fizeram, só que sobre tudo o que comiam ou bebiam, faziam uma cruz com o dedo”.[10] Embora os detalhes desta história estejam incompletos, eles advertem diretamente sobre o perigo da forma que ultrapassa o significado. A probabilidade da glossolalia desaparecer completamente ou sobreviver somente na forma – a trágica paródia dos crentes recitando sílabas glossolálicas sem a exibição do fruto e do poder do Espírito em suas vidas – deve trazer a cada pentecostal alguma hesitação. Felizmente, os dons da erudição podem fornecer discernimento sobre o batismo do Espírito que podem melhorar a nossa compreensão desta pedra angular da crença e da experiência pentecostais.

Terceiro, a maior parte do mundo eclesiástico sabe pouco deste distintivo pneumatológico. A maioria dos cristãos não acredita numa experiência pós-conversão do Espírito Santo e provavelmente não está familiarizado com o ensino. Eles também podem não estar cientes de que milhões de crentes em todo o mundo, compreendendo um enorme setor do cristianismo contemporâneo, professam fervorosamente que o batismo do Espírito será inevitavelmente sinalizado por declarações glossolálicas – denotando um fator crucial em sua ligação espiritual e comunhão ecumênica única. Espera-se que esses ensaios históricos e bíblicos ajudem os observadores externos a compreender a dinâmica espiritual deste movimento em rápido crescimento e a compreender melhor as questões que se relacionam com seu ensino mais distintivo.

Explorar a doutrina pentecostal do batismo do Espírito e as evidências iniciais requer cuidadosa reflexão e avaliações honestas de sua formulação histórica, bem como dos imperativos fundamentos exegéticos. Por esta razão, os contribuintes deste volume apresentam uma variedade de opiniões, particularmente nos ensaios bíblicos. Todos os escritores vêm de um contexto pentecostal, com exceção de David W. Dorries (Batista do Sul), Henry I. Lederle (Reformado) e J. Ramsey Michaels (Batista Americano). Cada um foi convidado a expressar livremente as conclusões de sua própria pesquisa; por essa razão, as opiniões não representam necessariamente as de outros contribuintes, do editor ou do publicador.

A primeira unidade do livro concentra-se no desenvolvimento histórico da doutrina. Apesar da orientação restauracionista do pentecostalismo, os apologistas pentecostais, começando por Charles Parham, se voltaram rapidamente para as páginas da história da igreja para se identificarem com os predecessores movimentos carismáticos dos Montanistas aos Irvingitas[11]. Em dois capítulos, Stanley M. Burgess avalia os históricos precedentes de vínculos com o pentecostalismo moderno. David W. Dorries examina a pneumatologia de Edward Irving, uma figura significativa do século XIX que testemunhou um renascimento do charismata, incluindo as línguas, que Irving viu como o “sinal permanente” do batismo do Espírito. James R. Goff Jr., por sua vez, fornece uma visão perspicaz da evolução teológica de Charles F. Parham. Com suas amarras pré-milenistas e sua confiança em línguas xenolálicas como prova do batismo no Espírito Santo, Parham imaginou a rápida evangelização do mundo. Ao traçar essa conexão entre o batismo do Espírito, as línguas e a escatologia, ele moldou o curso do movimento pentecostal, embora a influência real de sua liderança em outros aspectos diminua rapidamente. Não obstante, a importância de William J. Seymour, pastor da Missão de Fé Apostólica na Rua Azusa em Los Angeles, rivaliza com o de Parham. Cecil M. Robeck, Jr., revisa cuidadosamente os passos da peregrinação espiritual de Seymour e os contornos de seus pensamentos sobre as evidências iniciais.

Meu primeiro capítulo examina as maneiras pelas quais os primeiros pentecostais, de acordo com o precedente hermenêutico de outros restauracionistas, olharam para o livro de Atos para a verdade teológica. Através de sua análise de passagens-chave, Atos tornou-se um modelo de fé e prática. Embora os pentecostais tenham chegado a conclusões diferentes sobre a importância da glossolalia no batismo no Espírito, aqueles que alegaram que Lucas está ensinando evidências iniciais (através de implicações) em sua narrativa, desafiaram as perspectivas tradicionais sobre a interpretação bíblica moldada pela escolástica protestante. O capítulo seguinte permite que os apologistas pentecostais precedentes falem por si mesmos e contenham excertos de uma variedade de publicações. Finalmente, Henry I. Lederle levanta perspectivas carismáticas sobre a questão e apela ao diálogo entre os pentecostais e os carismáticos para encorajar uma maior unidade no corpo de Cristo – um objetivo lógico dado ao seu estreito parentesco.

A segunda unidade inclui quatro ensaios exegéticos sobre a evidência inicial por diferentes ângulos. O capítulo de Donald A. John contém uma análise contemporânea e pentecostal clássica da doutrina e oferece alguns caminhos-chave hermenêuticos que devem ser considerados para um estudo mais aprofundado. A visão do batismo do Espírito ensinada por muitos (mas não por todos) dentro da grande família do Pentecostalismo Unicista é fornecida por J. L. Hall[12]. Não adotando o batismo no Espírito Santo como subsequente à conversão, Hall liga o evento ao arrependimento do pecado e ao batismo em água na salvação do crente. O capítulo de Larry W. Hurtado, ao mesmo tempo em que defende as manifestações atuais dos dons do Espírito, desafia os fundamentos bíblicos de uma obra de graça subsequente e a afirmação de que as línguas devem acompanhá-la. Ele sugere que a glossolalia pode ser normal na vida dos cristãos, mas não deve ser esperada para todos. Finalmente, J. Ramsey Michaels, olhando para o debate à partir da posição de um não-pentecostal, expressa calorosamente o apreço pelo testemunho do pentecostalismo do poder do Espírito. Ele sugere, no entanto, que ao invés de apelar a um fenômeno particular como prova (ex., glossolália), os escritores do Novo Testamento afirmaram a posse do Espírito pelos cristãos como a evidência empírica para a realidade de Deus e seu funcionamento em indivíduos e Comunidades de crentes.

Esses ensaios, sem dúvida, desencadeiam muitas respostas. A fé e os pressupostos de alguns serão confrontados com descobertas históricas recentes ou oposição a exposições bíblicas da doutrina. Outros, no entanto, podem descobrir um novo significado para suas experiências carismáticas de glossolalia, ou talvez possam ser forçados a reconsiderar suas suposições sobre o batismo do Espírito. Em todo caso, se este exame limitado do batismo pentecostal e da doutrina da evidência inicial suscitarem mais discussões, diálogo, pesquisa e melhor entendimento dentro do corpo de Cristo, terão abundantemente cumprido seu propósito.


Tradução: Ícaro Alencar


[1] P. Damboriena, S. J. Tongues as on Fire: Pentecostalism in Contemporary Christianity [Línguas como que de Fogo: O Pentecostalismo no Cristianismo Contemporâneo], (Washington, D.C.: Corpus Book, 1969), vii.

[2] E. E. Cairns, An Endless Line of Splendor: Revivals and their Leaders from the Great Awakening to the Present [Uma Linha Infinda de Esplendor: Avivamentos e seus Líderes do Grande Despartamento ao Presente], (Wheaton: Tyndale House Publishers, 1986), 177; G. B. McBee, “The Azusa Street Revival and 20th Century Missions” [O Avivamento da Rua Azusa e as Missões Mundiais do Século XX], International Bulletin of Missionary Research 12 (Abril de 1988): pp. 58-61.

[3] Pentecost Has Come [O Pentecostes Chegou], Apostolic Faith (Los Angeles), Setembro de 1906, 1.

[4] Para uma breve descrição dos movimentos pentecostais e carismáticos, suas semelhanças e diferenças, bem como as tensões entre eles, veja S. M. Burgess, G. B. McGee, e P. H. Alexander, The Pentecostal and Charismatic Movements [Os Movimentos Pentecostal e Carismático], Dictionary of Pentecostal and Charismatic Movements (Grand Rapids: Zondervan, 1988), DPCM, 1-6.

[5] Para uma discussão detalhada, veja P. A. Pomerville, The Third Force in Missions [A Terceria Força em Missões], (Peabody, Mass.: Hendrickson, 1985), 79-104.

[6] Para uma descrição do Pentecostalismo clássico, veja H. V. Synan, “Classical Pentecostalism” [Pentecostalismo Clássico], DPCM, 219-21. Veja também Gary B. McGee, “The Indispensable Calling of the Pentecostal Scholar” [O Chamado Indispensável do Edurito Pentecostal], Assemblies of God Educator 35 (Julho a Setembro de 1990): 1,3-5, 16.

[7] D. B. Barrett, “Statistics, Global” [Estatísticas, Globais] DPCM, 820.

[8] C. Verge, “Pentecostal Clergy and Higher Education” [O Clero Pentecostal e a Educação Superior], Eastern Journal of Practical Theology [Revista de Teologia Prática Oriental], (Eastern Pentecostal Bible College, Peterborough, Ontário, Canadá) 2 (Primavera de 1988): 44.

[9] H. V. Synan, “The Touch Felt Around the World” [O Toque Sentido ao Redor do Mundo] Charisma (Janeiro de 1991), 85.

[10] A. C. Moule, Christians in China Before the Year 1550 [Cristãos na China antes do Ano de 1550], (New York: Macmillan, 1930), 4.

[11] C. F. Parham, A Voice Crying in the Wilderness [Uma Voz Clamando no Deserto], (Baxter Springs, Kan.: Apostolic Faith Bible College, reimpr. da 2ª ed., 1910), 29; B. E Lawrence, The Apostolic Faith Restored [A Fé Apostólica Restaurada], (St. Louis: Gospel Publishing House, 1916), 32-37; S. H. Frodsham, With Signs Following [Com os Sinais que se Seguiram] (Springfield, Mo.: Gospel Publishing House, 1926), pp. 230-36.

[12] J. L. Hall, The United Pentecostal Church and the Evangelical Movement [A Igreja Pentecostal Unida e o Movimento Evangélico], (Hazelwood, Mo.: Word Aflame Press, 1990); para crentes unicistas (“Apostólicos”, “Pentecostais”) sem relação com a Igreja Pentecostal Unida Internacional, consulte Clarion, a publicação oficial do Apostolic World Christian Fellowship [Comunidade Cristã Apostólica Mundial ] com sede em South Bend, Indiana.

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