A face antibíblica do cessacionismo

O cessacionismo é uma doutrina orientada via de regra por equivocados pressupostos filosóficos, hermenêuticos e, sobretudo, exegéticos. Pesa ainda o fato que hoje em dia é difícil precisar quantas variações deste sistema subsistem no cristianismo dito ortodoxo. E embora seja um erro com abrangência tridimensional (filosófica-hermenêutica-exegética), nem sempre é fácil discernir essas questões, sobretudo ao cristão mais leigo.

Todavia, há formas bem simples de refutá-lo levando em conta seus próprios pressupostos, mormente quando se evidenciam determinadas críticas ao continuísmo ou certas escolas continuístas, como a pentecostal, por exemplo. 

Basicamente o cessacionismo mais popular procura a partir de uma retórica estranha à Bíblia, explorar algumas questões que supostamente seriam uma pedra no sapato do movimento carismático. Recorre a uma espécie de silogismo enganoso que induz a erro porque se vale da premissa que se o milagre dos dias de hoje não ocorrerem exatamente como os milagres dos tempos bíblicos, não pode ser de Deus. Este princípio alegado desconsidera, principalmente, a soberania divina, visto que nem todas as curas, inclusive as registradas no NT se deram exatamente iguais. A  um cego Jesus impôs as mãos para que fosse curado sem maiores percalços, enquanto a outro, untou lodo aos olhos e mandou que se lavasse em um tanque. O silogismo equivocado do cessacionismo, neste sentido, seria alegar um padrão bíblico, quando o padrão bíblico é justamente não ter um padrão excessivamente rígido pelos quais os milagres pós-bíblicos poderiam ser julgados. Com efeito, se ao invés de cuspe, um curador de hoje, usar suas lágrimas para restabelecer visão a um cego, não será levado em consideração? Arrisco dizer que o cessacionista-padrão enxergaria aí elementos de misticismo que contradizem até mesmo sua fé na Escritura Sagrada. Por outro lado, mesmo crendo que as pessoas eram curadas pela  sombra de Pedro ou por intermédio dos lenços e aventais de Paulo (At 5:15 e 19:12), ou ao tocarem as vestes de Jesus, hoje em dia beira ao proibitivo alguém sugerir que estaria sendo canal da mesma operação miraculosa. Lenços em cultos seriam interpretados como elementos oriundos do sincretismo entre cristianismo e religiões-afro. E não me refiro à prática corrente do neopentecostalismo pós-moderno que atribui poder a objetos ungidos. Minha questão aqui aborda o eventual (aqui hipotético) testemunho de alguma pessoa que afirme ter sido curada por haver tocado nas vestes de outrem, ou por haver tocado no lenço de alguém detentor do dom de curar. Embora estes elementos “cúlticos” sejam claramente expostos nas Escrituras, hoje, muitos relatariam e/ou ouviriam esse tipo de testemunho com reservas.

Quem conhece Bíblia, quem realmente tem intimidade com ela, sabe logo à primeira vista que a quase totalidade das pressuposições bíblicas referentes a milagres (senão toda ela) fogem ao entendimento cessacionista. De início, a Bíblia nos diz que as coisas espirituais se discernem espiritualmente, portanto, fica evidente que qualquer traço de naturalismo pode afetar nossa capacidade para discernir apropridamente certas manifestações divinas. Aconteceu com os fariseus, quando atribuíram a Jesus operação demoníaca. A propósito, Jon Ruthven, em seu livro “On the Cessation of Charismata” (Sobre a Cessação dos Charismata, em breve em português pela Editora Carisma) chama nossa atenção ao relatar que

uma forma primitiva de cessacionismo foi dirigida a Jesus. Uma das acusações que levaram à sua execução era que ele havia violado os mandamentos de Deuteronômio 13 e 18, que proíbem a realização de sinal ou maravilha para desencaminhar o povo a seguir falsos deuses. A polêmica cessacionista foi dirigida não só contra os cristãos carismáticos posteriores, mas era o âmago do judaísmo mantido pelos rabinos rivais do cristianismo. 

Portanto, vou abordar alguns dos argumentos cessacionistas utilizados em larga escala para confrontar as principais crenças do movimento carismático e pentecostal. Falo daquelas mais populares, arquitetadas com o propósito de demonstrar que defendemos uma inverdade sem sentido prático. E entendo que são populares porque este tipo de defesa circula com frequência nas redes sociais ou em blogs apócrifos, geralmente gerenciados por estudantes do prestigiadíssimo Google Theological Seminary, procurando ocasião para confundir pentecostais e carismáticos que não manejam bem as Escrituras Sagradas. 

Essas hipóteses estão organizadas sistematicamente com o propósito de oferecer mais credibilidade às alegações e funcionariam muito semelhantemente ao episódio em que o diabo interage com Jesus no deserto. É um emaranhado de distorções bíblicas diferenciando da estratégia satânica pela formulação do “está escrito”, quando nunca esteve. Esperava-se que para cada citação alegada do cessacionismo houvesse  respaldo a partir de enunciados bíblicos interpretados devidamente. Mas é estranho que recorrentemente isso não aconteça. Tais pressupostos estão geralmente alistados em gráficos comparativos como se demonstra na imagem abaixo. Então vamos utilizar o modelo a seguir para balizar alguns comentários.

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Em um primeiro momento, ocorreu-me refutar exaustivamente ponto a ponto, mas entendi bastar certa atenção pelo menos aos principais, porque alguns, não consegui compreender adequadamente, e poderia incorrer em erro ao interpretar o que está posto apenas em linhas gerais no quadro. Por exemplo, a citada dependência de técnicas psicológicas, é absolutamente esdrúxulo. A meu ver, a fé é elemento característicamente psicológico que só se desenvolve na ratio (razão). Eu pelo menos não me lembro de paralelo escriturístico de animal tendo fé salvadora, curadora, etc. É preciso muita técnica psicológica para conceber algo assim. Dito isto, vamos aos pontos:

1. Milagres SEMPRE bem sucedidos x tentativas geralmente mal-sucedidas

O cessacionismo do gráfico acima inicia afirmando que todos os milagres bíblicos eram bem-sucedidos enquanto que os operados no movimento carismático nos dias de hoje são normalmente o contrário. Confesso que esta afirmação me deixou confuso. Primeiro porque não sei como um milagre pode ser mau-sucedido. Se é milagre, é milagre; alguma lei natural (da Física, por exemplo) foi quebrada ou suspensa a fim de que o impossível pudesse se tornar possível. Como um milagre pode ser mau-sucedido, é uma pergunta que eu gostaria de ter respondida. Algum cessacionista poderia operar este milagre explicando como é possível?

Por fim, Paulo não curou a si próprio (2Co 12:7-9), nem operou milagre algum em Timóteo (esperaríamos que fizesse, não?), deixou Trófimo doente em Éfeso e não curou a enfermidade gravíssima de Epafrodito (Fp 2:26-27)

2. Nenhuma recaída conhecida x recaídas admitidas

Eu penso que esta afirmação carrega consigo um perigo altamente danoso, sobretudo porque emprega esforços que caminham na contramão da Bíblia. Será mesmo que em hipótese alguma, uma vez tendo sido efetuados, milagres não poderiam ser revertidos ou estados de enfermidade não poderiam ter recorrência? Não é isto que a Bíblia diz. E é aí que reside o perigo, porque quem fala é Jesus:

Depois Jesus o encontrou no templo, e disse-lhe: Olha, já estás curado; não peques mais, para que não te suceda coisa pior.  Jo 5:14 (ARA)

Mais tarde, Jesus o encontrou no templo e lhe disse: “Veja que já estás curado; não voltes a pecar, para que não te aconteça coisa pior.” (5:14 KJ)

Este reencontro se deu após Jesus ter curado, horas antes, um paralítico à beira do tanque chamado Betesda, preso à paralisia por trinta e oito anos (5:5). O texto claramente nos diz que a enfermidade era resultado de um pecado em sua vida. Após o milagre, Jesus retirou-se do local e só reencontrou o cego horas depois. Neste encontro, reafirma a cura do paralítico e o adverte que não voltasse à prática do pecado que o havia vitimado, sob risco de lhe acontecer coisa pior. Este “pior” é sempre lembrado pelos teólogos como a segunda morte em razão do pecado que será julgado no dia do Juízo Final. Mas se aquele homem estaria sob risco de cair em condenação pior, nada no texto impede a cogitação de recorrência da mesma enfermidade da qual havia sido curado. Mas porque não impede? A cura verdadeira é um claro sinal que demonstra a supremacia do Reino de Deus em confronto com as obras do diabo. Então, se alguém se entrega deliberadamente aos principados do mal, estará sujeito a toda sorte de condenação, incluindo a possibilidade de acometimento da mesma enfermidade que fora curada por Deus. Por fim, não foi o próprio Jesus quem disse que se um demônio se retira de uma casa (pessoa), e

“anda por lugares áridos procurando repouso; e não o achando, diz: Voltarei para minha casa donde saí. E tendo voltado, a encontra varrida e ornamentada. Então vai, e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, habitam ali; e o último estado desse homem vem a ser pior do que o primeiro.” Lc 11:24-26.

Ora, o que Jesus está dizendo? Que a ingratidão e negligência de não se deixar habitar plenamente pelo Espírito Santo de Deus, abre caminho para possessões piores. Mas o endemoninhado não havia sido exorcizado e liberto da possessão passada? Ou os cessacionistas não julgam que uma possessão demoníaca é também um quadro crônico de enfermidade espiritual?

Então, neste sentido sobre os milagres bíblicos, o autor do gráfico disse bem: Nenhuma recaída “conhecida”.

3. Cura quase sempre imediata ou logo em seguida x normalmente não logo em seguida ou gradativas.

Mais um argumento que não passa pelo exame das Escrituras, embora ele seja repetido à exaustão, inclusive por nomes reconhecidos na teologia brasileira e internacional. Como sei que todos podem facilmente identificá-los, evito declarar nominalmente por uma questão de absoluta praticidade.

Mas antes de citar um texto em específico, convém lembrar que não sabemos todos os meandros sobre as curas efetuadas no NT. Por exemplo, o que temos como documentação nos evangelhos, em linhas gerais, retratam algumas poucas semanas do ministério de Jesus na terra; mais, restringindo-se às suas últimas semanas de vida. Mas o cessacionismo indica que as curas eram quase sempre imediatas ou logo em seguida. Aqui há um trocadilho com o propósito de iludir, técnica psicológica muito usada por mágicos ilusionistas do passado para distrair espectadores. Ao dizer que as curas do movimento carismático não acontecem logo em seguida ou quase sempre são gradativas, procuram desviar o foco do que realmente importa. Em primeiro lugar, para o enfermo, não importa muito se ele é curado no momento, ou alguns dias depois. Pergunte a qualquer paralítico se ele se importará em ser curado dez dias depois de uma oração. Consegue imaginar alguém reclamando diante de uma garantia? Lucas 17:11-19 mostra que não foi caso para reclamação dos leprosos. Jesus não lhes chamou no canto e impôs as mãos em cada um deles. Simplesmente deu uma ordem (v. 14) para que fossem se apresentar ao sacerdote. Sem garantia alguma, sem promessa alguma, apenas uma ordem. O texto diz no mesmo verso 14 que indo a caminho “foram purificados”. Todavia, um texto mais intrigante relata uma outra cura realizada por Jesus e que se fosse operada nos mesmos moldes por alguém com o dom de curar nos dias de hoje, certamente seria rechaçada pelos cessacionistas. Vou transcrever abaixo. Prestem bem atenção:

Então chegaram a Betsaida. E trouxeram-lhe um cego, e rogaram-lhe que o tocasse. Jesus, pois, tomou o cego pela mão, e o levou para fora da aldeia; e cuspindo-lhe nos olhos, e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa? E, levantando ele os olhos, disse: Estou vendo os homens; porque como árvores os vejo andando. Então tornou a pôr-lhe as mãos sobre os olhos; e ele, olhando atentamente, ficou restabelecido, pois já via nitidamente todas as coisas. Mc 8:22-25 [ênfases acrescentadas].

Parafraseando este versículo eu sugeriria a seguinte tradução:

Quando chegaram a Betsaida, trouxeram um cego até Jesus, pedindo insistentemente que ele o tocasse. Jesus então tomou o cego pela mão e o levou para fora da aldeia (porque cura nem sempre é espetáculo público), cuspiu e impôs as mãos sobre os olhos do cego, perguntando-lhe: Você consegue enxergar agora? O cego levantou os olhos e tentando enxergar, disse: Não vejo bem, Senhor, porque estou vendo apenas vultos; não vejo com clareza. Então Jesus impôs novamente as mãos nos olhos do cego; e o cego, desta vez, ficou restabelecido, porque somente agora via nitidamente as coisas.

4. Ressurreição dos mortos x nenhuma ressurreição

Eu nem precisaria ir muito longe para apontar a falácia dessa hipótese. São inúmeros os casos de ressurreição extrabíblica operados pelas mãos de homens revestidos com poder do alto. John Welsh, como relato em meu livro Sob os céus da Escócia (Natal: Carisma Editora, 2016), orou e trouxe à vida seu amigo Lorde Ochiltree. Relato fartamente narrado em obras reformadas e puritanas escritas por homens como Martyn Lloyd-Jones, Ian Murray, John Howie (autor do maior e mais respeitado compêndio sobre historiografia puritana de todos os tempos), et al

Erlo Stegen, conhecido líder da Missão Kwasizabantu relata em testemunho gravado em vídeo, que Thofozi uma de suas mais operosas colaboradoras foi ressuscitada quando seu corpo estava sendo velado. (veja o vídeo aqui)

O pastor batista sul-africano, William Duma, como também informo em meu livro, foi responsável pela ressurreição de dezenas de pessoas em seu ministério, uma delas, a de Litta, filha de um conhecido evangelista da região, relato publicado por Mary Garnet no livro “Take Your Glory, Lord: William Duma His Life Story.

Então, exceto que um cessacionista me prove que é onisciente e onipresente, não posso assumir como verdadeiro que ele sabe de todos os casos e ocorrências que se dão debaixo do sol.

5. Todos os tipos de doenças x males psicossomáticos

Este é outro pressuposto perigoso. Porque parte do princípio que todas as curas anunciadas como operadas hoje no movimento carismático são de origem psicológica. Então Deus não estaria operando mais milagre algum? Ou estes milagres devem sempre ocorrer fora de ministérios de cura? Então tudo se resume à psiquê? Esta é a mesma acusação que fazem os liberais em relação aos ortodoxos que creem nos milagres bíblicos. Para o liberalismo teológico, tudo não passou de uma bem-intencionada fraude piedosa. O cessacionismo pensa assim também?

Outro perigo é desmerecer a doença de origem psicossomática. As doenças da mente condicionam suas vítimas a estados psicológicos que são verdadeiras prisões da alma, além de conterem potencial para agravamento do quadro clinico. Depressões profundas são tão nocivas quanto um câncer. Inúmeras pessoas ceifam suas próprias vidas quando vitimadas por uma depressão muito profunda que não foi tratada clinicamente ou curada sobrenaturalmente.

Em segundo lugar, quando na Escritura fala “todos os tipos de doenças e enfermidades” está alertando para um dos aspectos do poder de Deus atuando ali com maior significação. Mas ao menosprezar as doenças psicossomáticas, o cessacionismo termina afirmando que num caso de endemia de uma única doença, Deus não estará agindo. Ora, se uma determinada aldeia enfrenta uma situação de endemia epidêmica de varíola, por exemplo, qual seria o efeito prático de alguém com dom de curar orando por cura de câncer? Para quem tem varíola, nenhum. Há casos em que todas as enfermidades não serão verificadas. Com efeito, há lugarejos no mundo, por exemplo, em que nunca foram registrados casos de câncer do colo de útero; há lugares em que a incidência de cânceres é mínima, mas alta com relação a outras doenças e enfermidades. Então, é muito perigoso reduzir o valor do dom de curar atrelando-o à doença e não ao poder do Espírito. Quem está gripado, busca sua cura da gripe, assim como quem contraiu varíola, busca curar-se da varíola. Não se pode colher figos de espinheiros (Lc 6:44). Esta lógica do Senhor se aplica em uma infinidade de situações práticas da vida.

6. Nenhuma dependência de técnica psicológica x notada dependência de técnicas psicológicas

O primeiro erro aí é que há uma grande gama de significados para se conceituar “técnicas psicológicas”. Alguns irão dizer que a hipnose é uma delas, enquanto outros, não, tendo em vista que ela atua a partir de áreas cerebrais mais atreladas ao inconsciente. Não é uma técnica em que o “sujeito hipnotizado” esteja no gozo consciente de suas faculdades mentais.

A sugestão psicológica, por outro lado, pode ser sim considerada como técnica que se predispõe ao princípio denunciado no gráfico cessacionista. Goebels, mentor intelectual do nazismo valeu-se dela para  induzir coletivamente toda uma massa permitindo que o nazismo ganhasse franco apoio popular. Em resumo, valeu-se da mais conhecida delas, isto é, repetir reiteradamente uma mentira até que ela fosse assumida como verdade pelos ouvintes. Seria o mesmo artifício do cessacionismo para conseguir ganhar espaço no seio do cristianismo? O que deve ser dito é: Dizer insistentemente que alguém foi curado, não gerará cura, sobretudo porque a doença pode mesmo ser mera sugestão psicológica.

Todavia, se alguém pensa estar doente, não estando, ao passo que depois passa a afirmar sua cura, não pode ter sido? Se a enfermidade era psicológica e o antes “enfermo” admitia que certa doença alastrava-se pelo corpo, mas agora passa a dizer-se curado, tenho convicção que o foi. Não necessariamente da doença imaginária, mas da imaginação doente que criou a enfermidade. Ou não? 

7. Alguns milagres negativos (Ananias, Safira, Elimas) x Somente milagres positivos

Esta hipótese leva o cessacionismo para além dos termos da heterodoxia fronteiriça. Cria categorias de milagres, talvez intencionalmente, visando ocultar as verdadeiras classificações que se relacionam com o extraordinário. Milagre é milagre, e só existe o milagre verdadeiro e o milagre falso, assim como sinal verdadeiro ou falso. Jesus nos disse que falsos profetas e falsos cristos surgirão operando grandes sinais e prodígios da mentira com o intuito de enganar os eleitos. Se fosse possível, enganariam, mas de alguma forma os eleitos serão preservados desta operação do erro. Se pela operação do dom de discernimento de espíritos, não sabemos ao certo. Poderíamos também invocar aqui os exemplos dos sinais verdadeiros operados no Egito por intermédio das mãos de Moisés por um lado, e de James e Jambres, por outro. Um, verdadeiro, enquanto o outro, falso. Não parece existir respaldo para a teoria de milagre com aspectos positivos ou negativos. Sinais, sim. Mas nem sempre um sinal funciona como milagre. Por exemplo: As línguas estranhas para os descrentes são um sinal de juízo condenatório (levando-se em conta o uso paulino de Is 28:11 no contexto dos capítulos 12 a 14 de 1Coríntios), mas para o povo de Deus, elas cumprem função edificadora em alguma instância, mesmo que restringindo-se à oração privativa. Quando interpretada, torna-se em certo sentido uma profecia e isso promove edificação coletiva evidenciando como um sinal a presença de Deus em meio ao seu povo. Mas milagre negativo x milagre positivo, confesso que desconheço.

As mortes de Ananias e Safira não podem ser classificadas como um milagre. O cessacionismo confunde sinais, milagres, prodígios, e impõe igualdade a elementos que são distintos entre si, embora funcionem cumprindo um mesmo propósito em algumas situações específicas.

Por fim, se qualquer carismático fizesse o que Paulo fez contra Elimas, certamente seria chamado de agoureiro. Inda mais se a cegueira não se estabelecesse instantaneamente. O carismático seria acusado de macumbaria, bruxaria, ou qualquer associação com as obras das trevas, como são vítimas diversos pastores carismáticos em nosso país, incluindo bem recentemente um caso conhecido que não pretendo elencar.

Espero ter contribuído para a edificação do povo de Deus na apresentação das argumentações retóricas sem fundamentação bíblica do cessacionismo. Um aviso adicional remete-nos ao tempo que precisamos dedicar ao estudo da Palavra de Deus. As respostas para as dúvidas que o cessacionismo impõe à fé pentecostal ou carismática podem ser facilmente, na maioria das vezes, encontradas a partir de formulações simples mediante a apresentação de textos como os que foram transcritos neste artigo.

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Categorias: Cura

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