O batismo do Espírito Santo: uma síntese doutrinária

 INTRODUÇÃO

O batismo no/com o Espírito Santo é uma importante doutrina bíblica muito enfatizada pelos cristãos Pentecostais e Carismáticos, o que os distingue dos cristãos tradicionais.

Os Pentecostais e Carismáticos acreditam que o batismo no Espírito Santo seja uma benção que ocorre após a conversão. Crendo que seja uma dotação de poder espiritual conquistada e recebida pela intercessão de Cristo, por isso a ideia de que é “Jesus quem batiza com o Espírito Santo” (Mt 3.11; At 2.17 e 33).

Já os tradicionais acreditam que o batismo no Espírito Santo aconteça na conversão, confundindo-o, assim, com o batismo no corpo de Cristo.

Para um melhor entendimento sobre as diferenças dos batismos mencionados na Escritura, vejamos abaixo uma tabela com cada um dos mais sistematizados:

TABELA_ARTIGO

Há alguns cristãos que objetam a “doutrina dos batismos” afirmando que é o ensino das Escrituras “um só batismo” tomando por base o que Paulo disse em Efésios 4:5. Eles afirmam isso ignorando tanto o contexto imediato quanto o contexto remoto. Dentro da própria carta, Paulo vai trabalhar o conceito de que agora não há mais “dois povos”,  judeus e gentios, mas um só em Cristo.

Vejamos o que nos diz Ef 2.11:

“Portanto, lembrai-vos de que vós, noutro tempo, éreis gentios na carne e chamados incircuncisão pelos que, na carne, se chamam circuncisão feita pela mão dos homens; que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos aos concertos da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo.”

Paulo afirma que os gentios estavam separados dos concertos de Deus para com a nação eleita e sem Cristo, separados também do concerto e da circuncisão espiritual. Mais adiante, já no versículo 14, ele diz que “de ambos os povos fez um” e que “pela cruz fomos reconciliados ambos por Deus em um corpo” (ver. 16).

No capítulo 4 como nos mostra a epígrafe do texto em nossas versões em português, Paulo vai falar sobre a unidade da fé. Discorrendo ele que há um só corpo, uma só esperança, um só Espírito. Baseado no que ele já havia dito no que para nós é o capítulo 2 ele continua expondo a nossa unidade em Cristo de que não há dois senhores, um para os Judeus e gentios, há um só. De que há duas formas de crê, nem muito menos dois batismos para a inserção na comunidade, um para cada povo em particular, mas um só e mesmo batismo.

Sobre este assunto muito bem nos auxilia o Rev. José Rego do Nascimento:

“Concluímos, pois, pelo sentido do texto, sancionado pela exegese, que o apóstolo está ensinando que não há um batismo para o judeu e outro para o gentio, antes que um único para ambos, assim devem eles também viver unidos num só propósito no Espírito.”[1]

Diante do que foi exposto acima, fica claro para nós que a palavra de Deus nos ensina sobre “os batismos”, portanto neste presente estudo temos a intenção de trabalhar o ensino bíblico quanto ao batismo no Espírito Santo.

A AÇÃO DO ESPIRITO NO ANTIGO TESTAMENTO

Desde as páginas do Antigo Testamento nós poderemos observar o Espirito Santo conferindo duas experiências, sendo uma de habitação e outra de habilitação. A primeira trabalha de forma semelhante ao conceito de regeneração no novo testamento e a segunda muito semelhante ao batismo no Espírito Santo.

  • Ação do Espírito nos tempos pré-diluvianos: A primeira aparição do Espírito Santo no Antigo Testamento está em Gn 1.2, onde diz que “o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas”. As Escrituras posicionam as três pessoas da divindade na atividade criadora (Gn 1.1, 2; Jo 1.3), assim o Espírito Santo trabalhou ao lado do Pai e do Filho na imposição da ordem na criação. Logo em seguida em Gn 6. 3 temos Jeová dizendo: “O meu Espírito não agirrá para sempre no homem”. Aqui temos o Espírito agindo para refrear o pecado da humanidade daquela época.
  • Uma possível habitação do Espirito: Há quem diga que o Espírito Santo só passou a habitar nos homens a partir da época da graça. Porém, a partir de uma investigação mais minuciosa das Escrituras, podemos conferir que, mesmo não sendo dado a todos os que serviam ao Senhor, o Espírito de Deus estava em algumas pessoas, conforme veremos mais adiante (1Pe 1.10-11):

a) José: Através das habilidades dadas a José pelo Senhor, faraó pode identificar que nele agia o Espirito de Deus. “Acharíamos, porventura, homem como este, em que há o Espírito de Deus?” (Gn 41.38).

b) Josué: Josué recebeu o Espírito Santo em Nm 11.25. Vale salientar que sobre os demais, o Espírito apenas “pousou… e nunca mais”, mas sobre Josué diz a bíblia em Nm 27.18 que ele era “homem em que há o Espírito do Senhor” ( Dt 34.9).

c) Saul: Compreendemos à partir da leitura de 1ªSm 16.14 que Saul possuía o Espírito Santo pois dele “o Espírito do Senhor… se retirou”. Podemos definir o momento em que ele recebeu o Espírito como sendo o dia em que ele se encontrou com Samuel (1ªSm 10. 5,10,11).

d) Davi: Em alguns textos nós vemos a ação do Espírito Santo na vida deste grande rei de Israel (2ª Sm 23.2). Mas à partir de 1ªSm 16.13 quando diz que “O Espírito do Senhor se apoderou de Davi”. Vemos nisso um aspecto de permanência, pois também em Sl 51.11, vemos o temor de Davi em perder o Espírito Santo, ou do Espírito ser retirado dele.

Podemos concluir que esta habitação do Espírito no Antigo testamento, não era permanente como no tempo da graça e se resumia às personalidades que exerciam influência e liderança entre o povo de Israel, e conforme 1ª Pe 1.11 também em muitos dos profetas.

  • A capacitação do Espirito: No Antigo Testamento a habilitação independia de uma prévia habitação do Espirito, ao mesmo tempo em que a habilitação trazia consigo uma permanência mais duradoura conforme os exemplos das lideranças citadas no tópico anteriores, onde temos Josué, Saul e Davi, habitados após uma experiência de habilitação do Espírito. E nos exemplos de Josué e Saul temos isto evidenciado, por manifestações proféticas. Porém, na maioria dos casos de habilitação do Espírito, ele apenas se manifestava usando o servo de Deus para um determinado fim e após isso se retirava. Abaixo, alguns exemplos:

a) Gideão: Gideão havia sido escolhido para executar uma tarefa difícil diante de seus próprios olhos, que era derrotar os midianitas, porém isso foi possível através do revestimento do Espírito (Jz 6.34).

b) Sansão: Um homem que era altamente dominado pelo Espírito Santo, de tal forma que suas forças eram excedidas às forças normais de seres humanos. A força sobrenatural lhe proporcionou a execução de várias façanhas, tais como, matar um leão com um só golpe (Jz 14.6), ferir a mil homens com uma queixada de jumento (Jz 15.14 e 15), tudo isso por meio da força proveniente do Espírito.

c) Otniel, Jefté e Débora: Poderemos conferir o momento em que o “Espírito vinha sobre eles” e eram capacitados para executar grandes obras ao Senhor (Jz 3.10; 11.29). No caso de Débora vemos que era “mulher profetiza” (Jz 4.4). Tal capacidade também só era possível através de uma ação ativa do Espírito do Senhor (1ª Pe 1.21).

II- A PROMESSA NO ANTIGO TESTAMENTO

O teólogo pentecostal Antony D. Palma nos traz uma perspectiva interessante sobre a Promessa do Espírito no antigo testamento que é oportunamente parafraseada abaixo:

2.1 Purificação e habitação pelo Espírito: Temos no AT a menção de profecias sobre um tempo em que o Espírito Santo habitaria nos servos de Deus (Ez 11.19-20; 36.26-27).

A narrativa de Ezequiel fala sobre a água sendo espalhada e a purificação de todas as imundícies espirituais. Ela continua, dizendo que o Senhor removerá os corações de pedra de seu povo e dar-se-á “um coração novo” e um coração de carne em lugar de um coração de pedra, além disso, diz também que colocará dentro dele um “espírito novo”. A concessão do Espírito Santo é o meio pelo qual essa mudança ocorrerá: “porei dentro de vós o meu Espírito”. Como resultado, o Senhor diz: “e farei que andeis em meus estatutos, e guardareis os meus juízos, e os observeis” (v.27).

A promessa está estreitamente relacionada ao conceito de regeneração do Novo Testamento. Paulo fala sobre “a lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo” Tt 3. 5, ecoando a declaração de Jesus sobre a necessidade de “nascer da água e do Espírito” (Jo 3.5). A transformação que acontece no novo nascimento resulta num estilo de vida transformado, tronando possível pela concessão do Espírito Santo. O Espírito habita dentro de cada crente (Rm 8.9,14-16; 1ªCo 6.19); assim a ideia de um crente sem o Espírito Santo é uma contradição em seus termos.

2.2 Revestimento e habilitação pelo Espirito: Bem, do mesmo modo que há profecias sobre uma habitação do Espírito de modo permanente também há sobre a ação do Espírito revestindo os servos de Deus para o cumprimento dos propósitos do Senhor. Podemos conferir isto em Jo 2.28,29.

Observemos também que a profecia de Joel é bem diferente da de Ezequiel. Ela não fala sobre transformação interior; estilo de vida alterado, ou a atuação interior do Espírito; em vez disso o Senhor diz: “derramarei o meu Espírito sobre toda a carne”. O resultado será muito dramático, profecias, visões e sonhos. Essa profecia lembra um desejo muito intenso de Moisés: “Tomara que todo o povo de Deus fosse profeta, que o Senhor lhes desse o seu Espírito!” (Nm 11.29). A narrativa ressalta a ênfase em Joel e no Novo Testamento de que o derramamento do Espírito não é restrito a indivíduos selecionados ou a um local particular. Os paralelos entre a profecia de Joel e o desejo de Moisés são inerentes.

Em Joel os resultados da atividade do Espírito são bem diferentes daquelas em Ezequiel; eles são dramáticos e carismáticos por natureza. O termo “carismático” passou a significar a atividade especial do Espírito de uma maneira dinâmica. Sabe-se, no entanto, que a palavra grega charisma tem um alcance de significados maior no Novo Testamento. Na profecia de Joel, o Espírito vem sobre o povo de Deus em primeiro lugar para dar-lhe poder de profetizar. Isso é evidente quando Pedro cita esta profecia para justificar os acontecimentos “pentecostais” (At 2.16-21). Nesse dia, os discípulos foram “cheios do Espírito Santo” (At 2.4); eles não foram regenerados por aquela experiência.

Desse modo, precisamos concluir dadas as diferenças substanciais entre as profecias de Joel e Ezequiel, que deveriam haver duas vindas históricas separadas do Espírito Santo? A resposta é NÃO! É melhor falar de uma promessa ampla do Espírito que inclui tanto sua habitação interior no crente quanto seu derramar ou concessão de poder ao povo de Deus. Esses são dois aspectos da prometida atuação do Espírito Santo na nova era.[2]

III- A PROMESSA REAFIRMADA POR JESUS

a) O novo nascimento: Jesus discursou sobre o novo nascimento uma vez em Jo 3.1-8, a um mestre da lei chamado Nicodemos. Neste seu discurso Jesus falou sobre nascer da “água e do Espírito”. No nascer da água compreendemos a figura do batismo onde os salvos são levados por causa da salvação em Cristo. E o nascer do Espírito, podemos enxergar a nossa conversão que é operada em nós pelo Espírito Santo de Deus.

b) O batismo com o Espírito Santo: Jesus em seus últimos momentos com os discípulos corroborou a promessa do Espírito mencionada por João Batista mostrando que muito em breve o Espírito Santo seria derramado sobre eles (Mt 3.11; Lc 3.16; Jo 1.33; Lc 24.49; At 1.5,8).

IV- O CUMPRIMENTO DA PROMESSA

Em Atos dos apóstolos é recorrente o uso da palavra discípulo (grego: mathetes) como descrição dos que compunham comunidades cristãs (At 6.2,7; 9.1,10,19,25,26,38; 11.26,29). Chegando em At 18 temos uma definição interessante do que Lucas e os irmãos primitivos tinham como definição da palavra discípulo. Dá a entender que Lucas define como tal os “que pela graça criam” (At 18.27). Apolo passaria pela Acaia, os discípulos que lá havia forma informados para recebê-lo e assim foi recebido pelos que “pela graça haviam crido”. Ou seja, todo discípulo é alguém que alcançou a fé por intermédio da graça de Deus.

Isto posto, fica mais fácil entender que os que recebiam o batismo no Espírito eram salvos em Jesus e regenerados pelo Espírito.

Em pentecostes: Dias após a experiência regeneradora no cenáculo (Jo 22. 20), os discípulos de Jesus acompanhados de um grupo maior de irmãos que ao todo formavam uma comunidade de quase 120 pessoas, estavam unidos quando o Espírito Santo desceu sobre eles e os encheu (At 1.13-15; 2.14).

Cumpriu-se sobre eles o que havia sido dito pelo Senhor Jesus momentos antes de sua partida, de que eles seriam “revestidos de poder do alto” (Lc 24.49). Experiência que posteriormente foi registrada por Lucas como sendo o que havia sido dito por João batista “sereis batizados com o Espírito Santo”.

No dia em que se cumpre a promessa sobre os discípulos é dito por Lucas que eles “foram cheios do Espírito Santo” (At 2. 4), mostrando que o batismo com o Espírito Santo é a experiência inicial de um enchimento do Espírito. Caindo por terra a noção de alguns tradicionais, que há diferença entre ser batizado com o Espírito e ser cheio do Espírito.

É necessário notar que somente em Atos há várias terminologias para esta mesma experiência, as quais podemos citar como:

  • “A promessa do Pai”: Lc 24. 49;
  • “Revestidos de poder”: Lc 24. 49;
  • “Batizados com o Espírito Santo”: At 1. 5;
  • “Recebereis a virtude/ poder”: At 1. 8;
  • “Cheios do Espírito Santo”: At 2. 4
  • “Derramar do Espírito”: At 2. 17;
  • “Derramar a promessa”: At 2. 33;
  • “O dom do Espírito”: At 2. 38;
  • “A promessa”: At 2. 39;
  • “Receber o Espírito”: At 8. 15;
  • “O Espírito descer”: At 8. 16;
  • “Cheio do Espírito”: At 9. 17;
  • “Caiu o Espírito”: At 10. 44;
  • “dom derramado”: At 10. 45;
  • “Cair o Espírito sobre”: At 11. 15;
  • “Batizados com o Espírito”: At 11. 16;
  • “Receber o Espírito quando crer”: At 19. 2;
  • “O Espírito veio sobre”: At 19. 6.

Estas expressões, apesar de plurais, são intercambiáveis no uso lucano em relação a uma mesma experiência, a que foi profetizada por João Batista e reafirmada por Jesus chamada de Batismo com o Espírito Santo.

Em Samaria: Os discípulos em Samaria foram salvos, crendo na mensagem de Filipe (At 8.12), porém ainda não haviam “recebido o Espirito”. A terminologia usada como “receber o Espírito” não deve ser vista em Atos como a habitação, pois juntamente outras expressões como, “o Espirito descer sobre”, “o Espírito vir sobre”, “cheio do Espirito”, “cair o Espírito sobre”, “batizados com o Espirito”, esta se refere ao revestimento de poder (Lc. 24. 49). Então podemos entender que eles receberam o Espirito como um revestimento, pois este como agente regenerador está subentendido no ato deles terem crido em Jesus por intermédio da pregação de Filipe (At 8.12).

Na vida de Saulo: Saulo teve um encontro com Jesus na estrada para Damasco (At 9.1-9), porém, somente após três dias ele veio a receber o enchimento do Espirito pela imposição das mãos de um leigo servo de Deus chamado Ananias (At 9.17).

Entendemos que Saulo foi salvo antes desta experiência pelos seguintes motivos:

  • Ele mostrou disposição em obedecer ao Senhor (At 9. 6);
  • Ele fora encontrado orando (At 9. 11);
  • Ele é chamado de “irmão” por Ananias, expressão usada em At 9 como identificação de crentes em Jesus (At 9. 17; 30);
  • Quando Ananias chega, não lhe fala sobre a fé ou salvação, mas direto impõe-lhe as mãos para que veja e seja cheio do Espírito (At 9. 17).

Saulo, posteriormente narra sobre sua prática comum de orar em outras línguas (1ª Co 14.18). Cremos que ele recebeu esta capacidade no momento de seu batismo no Espírito como nos outros casos em Atos dos Apóstolos.

Em Cesaréia: Em Cesaréia podemos afirmar que crendo eles na mensagem que Pedro estava pregando, imediatamente foram cheios do Espírito (At 10. 44-46).

Em Éfeso:  A Igreja em Éfeso foi estabelecida um pouco antes da chegada de Paulo (At 18. 19; 19.1). Creio assim pelo fato de Priscila e Áquila, juntamente Apolo, ter estado por lá tempos antes de Paulo, também porque quando Paulo lá aponta já havia “discípulos”. Como já citei acima, o termo “discípulo” (grego: mathetes) em Atos é comumente usado para discípulos de Cristo (At 18.27a; 19.9), ou seja, para “aqueles que mediante a graça, haviam crido” (At 18.27c). Com a chegada do apóstolo Paulo a pequena comunidade de discípulos, composta por um pouco mais de 12 homens (At 19.7) recebe o poder prometido com o batismo no Espírito Santo (At 19.2,6).

V- A EXTENSÃO DA PROMESSA

 O dom do Espírito Santo: Em At 2.38 no seu discurso, Pedro nos mostra algo que podemos compreender como sendo a ordem de operação para o batismo no Espírito.

a)“Arrependei-vos”: Mostrando tristeza pelo pecado que ofende ao Senhor, e uma mudança de caminho e de mente (grego: metanoia).

b) “E cada um de vós”: Mostra a individualidade da salvação e da consequente experiência.

c) “Seja batizado”: Aqui não há menção no batismo em águas como condição para o recebimento, mas o sentimento que há por detrás do batismo que é a fé em Jesus conforme nos mostra Mc 16.17.

d) “E recebereis o dom do Espírito Santo”: O dom do Espírito aqui, não é a salvação. Esta, a Bíblia nos mostra ser dom de Deus Pai (Rm 6.23). O dom do Espírito é o revestimento de poder.

A promessa: No versículo 39, Pedro relaciona o dom do Espirito a uma promessa. Portanto, entendemos que este dom realmente se trata do derramamento registrado em At 2.1-4. Onde Pedro nos diz que é concessão de Jesus (At 2.33), daí é esclarecido o texto onde diz que “ele voz batizará com o Espirito Santo”. Pois esta benção é conquistada por Jesus para todos quanto creem em seu nome.

A extensão da promessa: Há quem diga que o batismo no Espirito tenha sido limitado ao tempo dos apóstolos. Porém, a palavra do Senhor nos afirma que “a promessa diz respeito a…”:

a) “vós”: Os judeus de todas as nações que ali estavam presentes, e que posteriormente creriam em Jesus (At 2. 41).

b) “vossos filhos”: Às gerações seguintes.

c) “a todos quanto estão longe”: Uma clara referência aos gentios daquela época (At 10. 44-46).

d) “a todos quanto Deus… chamar”: Todos os salvos de todas as era. Esta promessa inclui também você!

VI- AS EVIDENCIAS DA RECEPÇÃO DESTA PROMESSA

O batismo com o Espírito Santo é um revestimento de poder do Alto, com a evidência física e inicial de falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo conceda pela sua instrumentalidade.

Esta evidência do batismo é notória em todos os exemplos bíblicos onde há concessão de poder do alto. Em pentecostes (At 2.4), em Samaria (At 8.14-17) embora não seja explícito no texto que eles falaram em línguas, estudiosos das Escrituras admitem que sem esta evidencia os apóstolos não saberiam de fato se eles teriam recebido ou não o batismo com o Espírito Santo, e até por que também a bíblia diz que “Simão, vendo que pela imposição das mãos dos apóstolos era dado o Espírito Santo lhes ofereceu dinheiro” (At 8. 18). Raciocinemos, o que ele viu? Certamente o mesmo sinal descrito no restante do livro de Atos, línguas estranhas.

Sobre Saulo em Damasco também é possível esta manifestação pois em Atos 9.17-18 diz que Saulo foi “cheio do Espírito Santo” e mais tarde em 1ª Co 14.18 ele diz: “falo mais em línguas do que todos vós.” Ele não estava falando de idiomas, e sim de línguas que provém do espírito humano (1ª Co 14.2), impulsionado pelo Espírito de Deus (1ª Co 14.14; At 2.4).

Sobre os irmãos na casa de Cornélio vemos a mesma manifestação, e Pedro ficou pasmado pela forma em que o Espírito veio sobre eles (At 10.45-46; 11.15-17). Eles falavam em línguas e magnificavam a Deus.

Sobre os discípulos em Éfeso da mesma forma, após mais ou menos vinte anos depois do pentecostes, eles receberam o cumprimento da promessa, e falavam em línguas e profetizavam (At. 19. 6).

Devemos observar também em comparação aos Evangelhos de Marcos e Lucas, enquanto Lucas fala que Jesus prometeu um revestimento de poder (Lc 24. 49), Marcos fala que Jesus concederá aos que creem nEle sinais, inclusive línguas.

CONCLUSÃO

Concluo o presente artigo dizendo que esta tão maravilhosa promessa está disponível para tantos quanto são chamados por Deus e inseridos em Cristo.

Jesus ainda batiza com o Espírito Santo e fogo. E isto se dá através do arrependimento e fé subsequente à nossa salvação.

Este revestimento de poder nos capacita para o serviço do Mestre, pois não podemos fazer a obra em nossa própria capacidade. Por isso que munidos de poder espiritual, venhamos lutar em favor do Reino de Deus.

Como já bem disseram: “o batismo com o Espirito Santo é uma porta para as riquezas de Deus”. Portanto meus amados irmãos, ao buscar por esta benção, quando a receberem, não parem por aí. Pois o Senhor tem uma gama tremenda de bençãos espirituais advindas posteriormente a esta graça (1ªCo 12.1-8).

 


NOTAS E REFERÊNCIAS 

[1] NASCIMENTO, José Rego. Calvário e Pentecoste: Regeneração e poder. 2ª edição. Brasília: Lerban, 2007, p. 102.

[2] PALMA, Antony D. O batismo com o Espírito Santo e com fogo: Os fundamentos Bíblicos e a Atualidade da Doutrina Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2002. p. 14-16.

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