Os dons espirituais da atualidade como análogos aos dons apostólicos: a afirmação da obra extraordinária do Espírito Santo dentro da teologia cessacionista: Parte I

Eu sustento que os modernos dons espirituais são análogos, mas não idênticos, aos dons divinamente autoritativos exercidos pelos apóstolos. Uma vez que inexiste uma identificação estritiva, o ensino apostólico e o cânon bíblico têm uma autoridade divina absolutamente exclusiva. Por outro lado, uma vez que há analogia, os dons espirituais em sua moderna manifestação ainda são genuínos e úteis para a igreja. Portanto há um meio termo entre a aprovação e a rejeição dos modernos dons carismáticos.

CRISTOCENTRICIDADE DOS DONS

Para desenvolver este ponto de vista precisamos fazer uma série de distinções cruciais. Em primeiro lugar precisamos de um panorama bíblico acerca do pensamento sobre os dons do Espírito Santo.

O próprio Novo Testamento nos fornece recursos para uma teologia dos dons espirituais. Uma passagem chave é encontrada em Efésios 4:7-11. Jesus Cristo é o cabeça da Igreja e o distribuidor de todos os dons do Espírito (v. 11). Ele distribui dons da plenitude que há nEle, porque Ele triunfou (v. 8) e preenche todas as coisas (v. 10). Atos 2:33 suplementa esta imagem pelos dizeres  de que Cristo “recebeu do Pai a promessa do Espírito Santo” como um prelúdio do derramamento do Espírito na Igreja. Da plenitude do Espírito de Cristo nós recebemos a medida “como Cristo a repartiu” (Ef 4:7).

Essas reflexões, naturalmente nos levam à conclusão de que nosso ministério no Espírito é análogo, bem como subordinado, ao ministério de Cristo. Por exemplo, Cristo é o grande profeta (At 3:22-26). Por meio do derramar do Espírito em Pentecostes nos tornamos profetas subordinados (2:17-18). Cristo é o Pastor chefe (1ª Pe 5:4), o governante da Igreja.  Por meio do Espírito, ele indicou pastores subordinados (5:1-3; At 20:28) e concedeu dons para governar e administrar o rebanho (1ª Co 12:28; Ef 4:11 [“pastores”]). Cristo veio para servir e dar sua vida como resgate de muitos (Mt 20:28). Ele também concedeu dons de serviço (Rm 12:7-8) e nos chamou para darmos “nossas vidas em favor de nossos amigos” (1ª Jo 3:16).

A obra de Cristo por nós pode ser convenientemente classificada sob a tradicional classificação tridimensional: profeta, rei e sacerdote[1]. Cristo nos fala (profeta), Ele governa sobre nós (rei) e Ele dá sua vida em serviço por nós (sacerdote). Todas as três funções são exercidas concomitantemente em Hebreus 1:1-3. Quando estamos unidos com Cristo, somos transformados em sua imagem e semelhança (2ª Co 2:3-18; Rm 8:29; Ef 4:24). Nós nos tornamos profetas quando falamos sua Palavra para outros (Cl 3:16). Tornamos-nos reis quando exercitamos autoridade em Seu nome sobre todas as áreas pelas quais somos responsáveis (Ef 2:6; 6:4). E nos tornamos sacerdotes quando servimos aos outros (1ª Jo 3:16).

As relevantes passagens escriturísticas nos mostram que estas coisas são a verdade daqueles que creem em Cristo. Contudo, nem todos são igualmente dotados em todas as áreas (Ef 4:7).  Onde os dons da fala são fortes, pessoas  se tornam reconhecidos professores (4:11). Onde dons de governo são fortes, pessoas são reconhecidas como presbíteros ou pastores (1ª Pe 5:1-4). Onde os dons de serviço são fortes, pessoas são reconhecidas como servas ou doadoras de misericórdia. Alguns têm sugerido que talvez pudéssemos correlacionar este serviço, de modo particular, com o ministério do diaconato (que é apoiado pelo fato de que a palavra diakonia significa “serviço”)

As três categorias de dons proféticos, de governo e de sacerdócio não estão perfeitamente separadas umas das outras. Tanto na vida de Cristo quanto na vida do seu povo há combinações típicas. Por exemplo, pastorear envolve a alimentação das ovelhas por meio da palavra de Cristo (uma função profética) e a liderança e proteção destas (uma função de reinado). As fronteiras entre essas áreas são um tanto confusa, mas ainda assim podemos reconhecer aqui focos ou ênfases absolutamente distintas.

Todos os dons mencionados em Romanos 12, 1ª Coríntios 12 e Efésios 4 podem ser classificados grosseiramente na categoria de profético, reinado ou sacerdotal. Por exemplo, dons de conhecimento e sabedoria são proféticos, enquanto os dons de administração, operação de milagres e curas são dons de reinado.  Mas alguns dons podem ser facilmente classificados de um outro modo. Por exemplo, o dom de curar pode ser visto como um dom sacerdotal, uma vez que é um exercício de misericórdia em direção a quem foi curado. Ultimamente, as funções proféticas, de reinado, e sacerdotais, podem ser expandidas para perspectivas de toda a vida do povo de Deus. Então não deveríamos nos conturbar diante da aparente sobreposição. Ainda assim essa classificação é bem útil para nos lembrar de nossa relação com a obra de Cristo  e relembrar que nenhuma lista dos dons do Novo Testamento intentou ser exaustiva.

UMA PIRÂMIDE DOS DONS

Porque os dons têm variadas funções e intensidades de manifestação, o NT reconhece níveis de funções para os dons proféticos, de reino e sacerdotais. Quais são eles?

Diagrama 1

Primeiro e mais importante, há uma superdotação messiânica (nível 1). Cristo sozinho tem a plenitude do Espírito para equipá-lo para as finalidades de profeta, rei e sacerdote, de modo definitivo.

Em segundo lugar, há superdotações apostólicas ou fundacionais (nível 2). Cristo aponta os apóstolos como testemunhas (Atos 1:21-22). Na base do que eles viram e ouviram diretamente, bem como com base na obra de inspiração do Espírito Santo, eles puderam testificar de maneira autoritativa para todas as eras acerca daquilo que Cristo realizou. Em seu caráter de testemunhas verbais, eles têm um papel profético não repetível. Os apóstolos estão intimamente associados aos “homens apostólicos” como Marcos, Lucas e Judas que produziram o cânon do NT.

De modo similar, os apóstolos tomaram decisões fundacionais concernentes à ordem ou pastoreio da Igreja do Novo Testamento. Eles fizeram isso em meio às primeiras crises (Atos 6; 8; 10-11; 15;20). Assim eles tiveram um papel de governo que não é repetível. Os apóstolos apontaram os primeiros diáconos e estabeleceram o ministério do serviço e de misericórdia (6:1-7). Em todos esses aspectos, o papel apostólico não é repetível.

Em terceiro lugar, nós temos o nível de dons proeminentes, e que são dons repetíveis (nível 3). Pessoas podem ser oficialmente reconhecidas pela Igreja quando manifestam intensos dons de ensino, governo e de misericórdia. Tradicionalmente a eclesiologia Reformada denomina esse nível de “ofícios especiais”. Inclui os mestres, presbíteros e diáconos na Igreja.

Por fim, nós temos o nível do envolvimento de todo aquele que crê (nível 4). Como a Escritura mostra, todo crente unido com Cristo é feito um profeta, um rei e um sacerdote, em um sentido amplo.

A distinção entre dons com plena autoridade e dons subordinados (não inspirados) está clara agora. Jesus Cristo é Deus (Jo 1:1; 20:28) e Senhor da Igreja (Ef 5:24). Sua obra tem total autoridade divina. Os apóstolos e homens apostólicos foram comissionados por Cristo para serem testemunhas de sua autoridade. Consequentemente, suas palavras e ações oficiais têm divina autoridade (ver 1ª Co 14:37; 1ª Ts 2:13). Em particular, as palavras apostólicas no exercício de seu ofícios são inspiradas no sentido técnico. Palavras inspiradas são palavras ditas pelo próprio Deus, ou seja, palavra sopradas por Deus (2ª Tm 3:16) e consequentemente elas carregam autoridade divina sem quaisquer ressalvas.

O Espírito Santo também trabalha por um caminho subsidiário dando dons de ensino e comunicando dons aos pastores, mestres e cristãos comuns (Ef 4:1; Cl 4:6). As palavras dadas por essas pessoas, portanto, não são inspiradas, isto é, essas falas não são identicamente ditas por Deus de tal modo que carregue uma divina autoridade e perfeição sem qualquer ressalva.

Todavia, esses discursos podem ser inspirados no sentido popular da palavra. Nós reconhecemos que o Espírito Santo está presente. Agradecemos a Deus pelos dons que são exercidos e sabemos que quando adequadamente exercidos, eles vem do Poder do Espírito Santo. Contudo os resultados são sempre falíveis e devem ser verificados pelo padrão da Bíblia. A necessidade de testes das obras está implícito na própria finalidade da revelação em Cristo (Hb 1:1-3), à característica fundacional do ensinamento dos apóstolos (Ef 2:20) e o fato de que o cânon das Escrituras está completo. Tratam-se dos melhores representantes daquilo que é aceito como ponto de vista dos carismáticos e dos não-carismáticos[3].

CONSCIÊNCIA DAS BASES PARA PALAVRAS E AÇÃO

Nós também podemos esclarecer o funcionamento dos dons do Espírito Santo de muitas outras maneiras que quebrem as classificações que já foram estabelecidas. Por exemplo, podemos distinguir entre dons  exercidos em direção a Deus, em direção a outros cristãos e em direção ao mundo (fora da comunidade cristã) [4]. Para meus propósitos, é conveniente introduzir uma distinção que foque na consciência das pessoas de uma base para suas ideias ou ações.

Em primeiro lugar, às vezes as pessoas podem, conscientemente, derivar suas idéias para suas ações de uma passagem particular da Bíblia. Por exemplo, um professor pregando um sermão expositivo conscientemente baseia o seu sermão em uma passagem particular da Bíblia. Um ancião aconselhando uma pessoa jovem tentado à embriaguez, conscientemente dará seu conselho com base em passagens que advertem contra a embriaguez. Um diácono consolando alguém que passou por uma tragédia pessoal, terá em mente de maneira muito clara, o texto de Romanos 12:15. Permita-me chamar esse tipo de exercício de dom de um processo discursivo do dom. As condutas são inferidas de uma ou mais passagens da Bíblia.

Em segundo lugar, às vezes pessoas podem atuar com base em palpites, sensações ou intuições. Eles sentem que deveriam dizer algo de modo particular.  Eles talvez vejam uma situação e reajam de modo espontâneo.  Ou talvez eles tenham uma visão e audição especiais. No entanto, nestes casos eles não têm consciência de uma passagem particular da Bíblia ou um conjunto de passagem que forme a base de sua experiência. A experiência deles jorra de um impulso pessoal que não pode ser analisado de forma mais profundamente objetiva. Chamemos tais instâncias de processos não-discursivos.

Em terceiro lugar, pessoas podem atuar com base em uma consciência parcial das bases para ação. Por exemplo, eles comparam sua própria situação com algum modelo situacional da Bíblia. Intuitivamente sentem que aquela situação é paralela à situação bíblica, mas sem estarem conscientes de todos os fatores relevantes para julgar a natureza da comparação. Tais processos são parcialmente discursivos. Nós podemos categorizá-los como um mix de processos ou processo de discernimento criativo. Muitas pessoas em diversas situações têm se envolvido neste terceiro tipo de processo que é o mais comum. Contudo, por questões de simplicidade, nós focaremos de maneira abrangente em processos de mais de um lado: nomeado, discursivo e não-discursivo.

Todos os três rótulos acima são intencionados para descrever, não avaliar, ou seja, servem para apontar de forma descritiva aquilo que várias pessoas fazem, sem contudo aprovar ou reprovar tais práticas.

Nós podemos dar exemplos do NT de todas os três tipos de processos. A maior parte das pregações apostólicas envolveram processos de discurso. “E, havendo-lhe eles assinalado um dia, muitos foram ter com ele [Paulo] à pousada, aos quais declarava com bom testemunho o reino de Deus, e procurava persuadi-los à fé em Jesus, tanto pela lei de Moisés como pelos profetas, desde a manhã até à tarde. E alguns criam no que se dizia; mas outros não criam” (:At 28:23-24). Paulo baseou-se na Lei de Moisés e nos Profetas, o que mostra um processo discursivo. Similarmente, os sermões apostólicos em Atos apelaram para textos específicos do Antigo Testamento e se juntou argumentos a eles.

Neste sentido, os apóstolos se esforçaram para persuadir seus ouvintes. Pessoas criam neles não meramente porque eles reivindicavam ter autoridade divina, mas também porque pessoas “examinaram as Escrituras todos os dias para ver se o que Paulo dizia era verdade” (At 17:11)

Em segundo lugar, as visões em Apocalipse e outros lugares ilustram um processo não-discursivo. João teve visões, ouviu vozes e registrou aquilo que ele viu e ouviu (Ap 22:8).

Por fim, uma possível instância de processos mixados, ou discernimento-criativo, é encontrado em At 15. Os apóstolos e presbíteros enfrentaram criativamente um novo problema de controvérsia por meio dos ensinos explícitos das Escrituras (At 15:16-18) e parcialmente discernindo uma analogia entre a questão geral e o incidente crucial com Pedro (15:7-11).

As fronteiras entre estes três tipos de processos são obviamente fluidas. A consciência da base para uma ação é uma questão de grau. Uns podem estar mais ou menos conscientes de uns poucos ou muitos dos elementos que contribuem para uma ação.

No caso dos exemplos apostólicos, a relevância discursiva e não-discursiva dos processos são inspirados e divinamente autoritativos. Por outro lado, em outros casos os processos não são inspirados. De fato, eles podem até mesmo ser demoníacos. Demônios usaram processos discursivos em Mt 4:6; 2ª Tm 2:25-26 e processos não-discursivos em Lc 4:34; Ez 13:7; 12:24. Ainda em outros casos, os processos discursivos e não-discursivos operam no curso normal da experiência humana. Por exemplo, processos discursivos funcionaram no argumento de Abigail em 1ª Sm 25:28-31. Processos não-discursivos dominam quando Davi se entrega à aflição (2ª Sm 19:4) até que Joabe o chama para cumprir seus deveres (19:5-8). Em geral não há razões para crer que processos discursivos ou não-discursivos são inatamente superiores. Ambos podem ser inspirados, no caso dos exemplos apostólicos, mas ambos podem ser não-inspirados também.

Como podemos ajustar o cristianismo moderno a este quadro?  Alguns apontamentos sugerem que deveríamos pensar nos dons do Espírito Santo por analogia com os dons exercidos pelos apóstolos[5]. Consequentemente, em princípio, há uma sala para os dons que funcionam com processos discursivos, não-discursivos e processos mixados. Exemplos modernos confirmam essa inferência. Algumas pessoas são muito boas construindo argumentos explícitos à partir da Bíblia. Esses dons usam processos discursivos. Outros, por meio de longos anos de estudo e digestão da Bíblia, e por meio da obra do Espírito Santo que trabalha o conhecimento da verdade no coração deles, sabem o que é certo – mas sem estar habilitado no momento para citar um verso particular que justifique sua conclusão. Os dons deles envolve um processo não-discursivo. Outros, claro, podem tipicamente estar conscientes de alguma fonte não-biblica para sua ação.

Essa diversidade de processos abraça, em particular, a área dos dons verbais de conhecimento e fala – que são proféticos, se opondo aos dons de reinado e os dons de sacerdócio. Algumas pessoas sabem e falam primariamente com base em razões explícitas extraídas de passagens da Bíblia. Outros sabem e falam com base em seus senso intuitivo aquilo que está de acordo com o evangelho.

Vamos considerar alguns exemplos. No nível 2, a pregação apostólica envolve predominantemente processos discursivos. Lucas escreveu o Evangelho que leva seu nome usando processos discursivos. Apocalipse nos dá um exemplo de processos não-discursivos.[6]

O que ocorre nos tempos modernos no nível 3 e 4? Processos discursivos incluem a moderna pregação, o estudo bíblico informal e o ensino. Processos não-discursivos inclui instâncias onde ideias bíblicas ou versos vêm espontaneamente à mente, mas sem que o recebedor saiba de onde e como vieram. Às vezes ocorrem  situações impressionantes. Em um sonho ou uma visão, uma pessoa vê uma mulher em um simples vestido branco. Ela está falando em uma área lamacenta. Um pouco de lama respinga no seu vestido. Ela vem até o portão de um palácio e começa a chorar de vergonha. Um homem vem até ela e lhe dá um glorioso vestido brilhante e então ela entra no palácio com alegria. Ou então, um homem tem um sonho no qual um anjo está escrevendo em um livro. Na parte superior do livro tem o nome do próprio homem. Abaixo de seu nome está uma lista com todas as coisas más que ele já fez e todos os pensamentos que teve.  Um homem aparece com um rosto brilhante e as palmas das mãos gotejando sangue.  Esse homem estende as mãos sobre o livro. Uma voz fala para o anjo ler o que está naquela página, mas o anjo responde “Eu não posso ler, porque está coberto com sangue”.

É a genuína pregação apostólica análoga à moderna pregação? Certamente a pregação apostólica é inspirada e única. A pregação moderna não adiciona nada à pregação apostólica, mas é derivada desta.  Consequentemente pode ser que hesitemos em chamá-las de análogas. No entanto,  de algum modo,  inequivocamente, elas são sim análogas. Pregadores e comentaristas têm sempre estado dispostos a extrair lições dos exemplos dos apóstolos e até mesmo de Jesus Cristo, muito embora estes sejam únicos.

De modo similar, nós podemos questionar se Apocalipse é genuinamente análogo às modernas visões ou sonhos. A resposta  é similar àquela que podemos pensar no que concerne à pregação. Apocalipse é inspirado e único. As modernas impressões ou visões, para serem válidas, não devem adicionar à Bíblia, mas ser completamente derivadas desta. Este caráter derivativo é, de fato, evidente nas duas situações acima, na história da roupa enlameada e do livro manchado. Ambos contém ensinamentos bíblicos sobre perdão e justiça em Cristo e ambos usam temas imaginários derivados das Escrituras. O primeiro é mais geral, enquanto o segundo aplica a verdade da justificação para uma pessoa em específico. O segundo vai além da Bíblia apenas na aplicação particular e consequentemente todos podem reconhecer a legitimidade dessa mensagem “O que as pessoas chamam de ‘visão’ atualmente pode estar sendo um mover do Espírito Santo para aplicar a verdade das Escrituras em sua vida”[7]

De fato, em contextos de um sermão estamos confortáveis com o uso de textos por analogia. A visão de Isaías 6, única em seu conteúdo, se torna base para lições sobre o chamado de Ministros da Palavra. O sermão de Pedro em Atos 2 se torna um modelo para sermões modernos. 1ª Co 12-14 se torna uma fonte de princípios para o exercício dos modernos dons espirituais (até para aqueles que pensam que a maioria dos dons mencionados em 1ª Co já cessaram).

Pessoas às vezes tem se preocupado sobre outras distinções. Eles podem dizer, por exemplo, que a pregação apostólica e a Revelação são completamente diferentes porque envolve um novo conteúdo, uma nova revelação. Em contraste, sermões modernos e visões baseadas na Bíblia e intuições contém uma repetição de uma velha verdade. Mas a diferença aqui, embora reais, são sutis e facilmente exageradas. O ensino apostólico é, de modo notável, baseado no ensino do Antigo Testamento; os eventos da vida de Cristo os ensinamento de Jesus durante o seu tempo na terra (incluindo Lucas 24:25-27,44-49). Assim seus ensinamentos estão longe de ser absolutamente novos, ainda que possam ter sido totalmente novas para aqueles que a ouviram pela primeira vez. O livro de Apocalipse, entrelaça uma notável quantidade de materiais temáticos de Daniel, Ezequiel, Zacarias e outras fontes bíblicas. Em Lucas e Atos, pelo registro de eventos anteriores, nada fundamentalmente novo foi acrescido para além dos eventos registrados. Além disso, a autoridade divina não tem qualquer relação com o fato de algo ser velho ou novo. Deuteronômio é tão autoritativo quando repete uma revelação anterior quanto quando traz algo novo.[8]

Na moderna situação, pregação, visões e sonhos, são velhos em algum sentido, mas novos em um outro: Eles podem comunicar ideias que são novas para aqueles que as receberam. Além disso, há sempre novas aplicações para novas pessoas e novas circunstâncias (como acontece com o nome do homem no livro manchado de sangue).

Então onde está a diferença decisiva? Todos os processos modernos são completamente derivativos com respeito à autoridade. Pregação moderna possui autoridade apenas enquanto reitera a mensagem das Escrituras. O mesmo para as modernas intuições, visões, sonhos e todos os outros processos não-discursivos.

Com este quadro, nós devemos considerar seriamente acerca da suficiência da Bíblia e a falibilidade dos processos modernos. Esse princípio é aplicável tanto aos processos discursivos quanto aos processos não-discursivos. No caso de processos discursivos, um pregador pode pregar uma doutrina ou uma heresia. Uma intuição ou um sonho (quando interpretado) pode ser tanto verdadeiro quanto falso. Em um contexto moderno, nem os processos discursivos ou os não-discursivos podem adicionar algo mais além da Bíblia.

FOCOS DINSTINTIVOS PARA O CONTEÚDO

Nós precisamos traçar uma distinção final em relação ao conteúdo, invés do processo. Até agora temos falado sobre o processo pelo qual as pessoas vêm a dizer algo. Mas devemos nos atentar para o conteúdo daquilo que é dito. Este conteúdo pode tentar reexpressar o conteúdo das Escrituras, ou mesmo dizer algo acerca das circunstâncias que nos rodeiam, ou pode ser ainda uma combinação de ambas.

  1. Pessoas podem falar com foco em um conteúdo didático. Eles nos dizem o que pensam que a Bíblia nos ensina ou o que pensam que Deus nos comanda. Permita-nos chamar o conteúdo de tais conteúdos de ensino discursivo.
  2. Pessoas podem falar com foco em circunstâncias. Eles nos falam o que está acontecendo em torno deles. Ou eles nos falam o que aconteceu no passado ou (se eles predizem algo) o que acontecerá no futuro. Permita-nos chamar isso de ensino de conteúdo circunstancial.
  3. Pessoas podem falar com um conteúdo que objetiva combinar tanto o ensino bíblico quanto a informação circunstancial. Pessoas nos dizem como eles pensam que a Bíblia pode ser aplicada à situação atual. Permita-nos chamar isso de ensino de conteúdo aplicado.

Com o Novo Testamento, no entanto, Jesus e os apóstolos ensinam a palavra de Deus. Assim o conteúdo ensinado, se focado, fala de Deus, ou da história, ou das circunstâncias ou de aplicação. Então, onde é que entra o conteúdo circunstancial? Ele entra quando tentamos aplicar a Bíblia em nossas próprias circunstâncias modernas. O NT nos ordena aplicar a palavra em discernimento às nossas próprias vidas, onde continuamente confrontamos novas circunstâncias e novos desafios (Ef 5:16-17; Rm 12:1-2). Para realizar essa aplicação, devemos inevitavelmente lidar com a aplicação circunstancial e de conteúdo.

Nós encontramos esse tipo de coisa ilustradas muitas vezes na Bíblia, em casos onde a narrativa histórica envolve pessoas não-inspiradas ou ações sem o explícito endosso divino. Considere primeiramente aquilo que está em 2ª Cr 25:3-4 “Sucedeu que, sendo-lhe o reino já confirmado, matou a seus servos que mataram o rei seu pai; Porém não matou os filhos deles; mas fez segundo está escrito na lei, no livro de Moisés, como o Senhor ordenou, dizendo: Não morrerão os pais pelos filhos, nem os filhos pelos pais; mas cada um morrerá pelo seu pecado”. Nas ações descritas, nós encontramos os três tipos de conteúdo. Considere primeiro o princípio no verso 4 “Não morrerão os pais pelos filhos, nem os filhos pelos pais; mas cada um morrerá pelo seu pecado”. Esse princípio cita Dt 24:16. E obviamente um caso de ensino de conteúdo. Amazias pode ter ouvido ou relembrado tais ensinamentos de conteúdo antes de tomar sua decisão.

Em segundo lugar, o v. 3, implica que Amazias tinha que descobrir os fatos sobre o assassinato de seu pai Joás. Ele ou seus oficiais tinham que estar bem certos sobre as causas da morte de Joás para que pudessem seguir os deveres do processo legal (ver Dt 19:15-21). Esta averiguação dos fatos envolvidos é de conteúdo circunstancial. No fim, Amazias encontrou a verdade sobre o assunto, mas seu conhecimento da verdade ou suas declarações da verdade não foram autoritativamente divinas. Foi simplesmente um conhecimento ordinário.

Finalmente, a execução de assassinatos envolve aplicação de conteúdo.  A execução de Amazias combinou o ensino de conteúdo de Dt 24:16 e das penalidades para o assassinato (Gn 9:6) e um conteúdo circunstancial sobre quem foi o culpado nesse caso em particular.

A totalidade da questão em 2ª Cr 25:3-4 é inspirada e, portanto, um exemplo de ensino de conteúdo. Mas os eventos anteriores e a troca de informações entre os oficiais de Amazias não foram inspirados.

Nós podemos encontrar um grande número de exemplos similares com narrativas históricas na Bíblia. Por exemplo, 1ª Rs 1:43-48 é um registro inspirado de um relato não-inspirado da coroação de Salomão. A fala de Jônatas como distinta do registro inspirado (1:43-48), envolveu conteúdo circunstancial.  Esse relatório serviu de base para os atos aplicados de Adonias e seus convidados (1:49-51). Semelhantemente, Juízes 20:29-32 parece um caso de conteúdo de aplicação. Deus deu ordenanças aos israelitas para que eles fossem à luta e lhes prometeu vitória (20:28).  Contudo, parece que os determinantes que compunham os elementos da emboscada não surgiram de uma palavra divina explícita. Em vez disso, os comandantes levaram em conta o conhecimento circunstancial sobre estratégia militar e sobre o que os benjamitas provavelmente estariam esperando.

A  Bíblia é o fundamento para exercitar o bom discernimento sobre nossas circunstâncias. O ensino da Bíblia é assim fundamental na obra do Espírito Santo de ensino hoje. Mas há razões para crer que o Espírito Santo, como Criador e Redentor, está também envolvido nos aspectos mundanos de nosso aprendizado sobre nós mesmos e nossas circunstâncias (Jo 32:8; Sl 94:10; Pv 1:2-7). De um ponto de vista mais amplo, foi fundamental o processo pelo qual Amazias chegou à verdade sobre o homicídio de seu pai. O Espírito deu a Jônatas e aos comandantes militares o conhecimento que eles tinham. Esse conhecimento que provém do Senhor inclui a sabedoria e discernimento acerca da vida cotidiana que o resto do livro de Provérbios promove. Conhecimento cotidiano, bem como o ensino explícito da Bíblia, provêm do Senhor.

As circunstâncias atuais não possuem qualquer autoridade especial. A Bíblia, em contraste, possui divina autoridade. Consequentemente, entre a autoridade das circunstâncias atuais e a autoridade das declarações sobre as circunstâncias dos tempos bíblicos há um profundo abismo. Todavia, em um outro sentido há uma relação muito óbvia. Pessoas nos tempos bíblicos foram pessoas com problemas, lutas e circunstâncias como as nossas. Em certo sentido, então, a aplicação dos princípios gerais da Bíblia são aplicáveis às nossas próprias circunstâncias paralelas. Em todos os casos, o Senhor está envolvido em nosso ensino. Ele nos dá o conhecimento dos princípios bíblicos e conhecimento de circunstâncias particulares para as quais devemos responder.

A QUESTÃO DOS DONS CARISMÁTICOS MODERNOS

Agora nós podemos integrar os dons carismáticos em nosso quadro. Tanto em círculos carismáticos quanto não-carismáticos, vários tipos de dons funcionam por meio de vários processos. É desnecessário tomar notas de todos eles. Os tipos de dons mais controvertidos precisam de nossa atenção – em particular, os dons verbais que os carismáticos classificam como casos de palavra de conhecimento, palavra de sabedoria, profecia, discernimento de espíritos, línguas e interpretação de línguas.

O movimento carismático crê que os dons de profecia, discernimento de espíritos e línguas permanecem na Igreja hoje, enquanto os outros grupos sustentam que cessaram com o ministério do apostolado e com a cessação da revelação especial [9]. Eu sustento que os dons carismáticos modernos são análogos aos dons apostólicos inspirados. Consequentemente, pode ser ou não apropriado chamá-los usando os mesmos termos usados no NT.

Em termos de nossa anterior classificação, todos os  dons controversos são processos não-discursivos. Eles são controvertidos porque suas bases são mais obscuras e mais privadas – isto é, a base é não-discursiva ou intuitiva.

Em contrate, processos discursivos não são controvertidos porque eles apelam para a Bíblia. Claro que processos discursivos são falíveis. Doutrinariamente os pregadores podem soar a verdade das Escrituras. Mas pregadores heréticos também podem tentar espalhar suas heresias. E hereges podem ser o que há de mais perigoso se conseguirem dar argumentos plausíveis que apelem às Escrituras para apoiar seus pontos de vista. Consequentemente, processos discursivos também devem ser averiguados à luz das Escrituras como padrão final. Mas qualquer círculo crente na Bíblia está confortável com tais processos, em princípio por que eles reconhecem a necessidade de exposição da Bíblia.

Processos não-discursivos é que são o problema. Alguns carismáticos talvez pensem que pelo fato de a base ser mais pessoal, mais privada, mais intuitiva, é também mais diretamente obra do Espírito Santo e consequentemente menos sujeita ao erro que outros processos. Mas nós já observamos que tais pensamentos militam claramente em erro. O evangelho de Lucas não é menos inspirado que Apocalipse. Ademais, mesmo os eventos mais maravilhosos podem não passar de falsificação (2ª Ts 2:9),

Assim, de acordo com nossa teologia geral dos dons espirituais, dons discursivos e não-discursivos estão um ao lado do outro, com nenhuma superioridade particular. Como todos os dons, os dons discursivos também devem ser checados em sua conformidade com as Escrituras (1ª Co 14:37-38).

Mas estes dons não-discursivos deveriam mesmo ser chamados de dons do Espírito Santo? Nós já observamos em Sl 94:10; Jo 32:8; Pv 2:6 que o Espírito Santo é o criador e o mantenedor da vida humana, dando todo o conhecimento que ela tem. Então, nesse sentido, são dons.  No entanto, ao atribuir o rótulo de “dons”, não podemos atribuir infalibilidade a eles. Um dom de pregação, penso ser genuíno, não dá ao pregador moderno a infalibilidade, porque o dom opera em meio ao pecado e preconceito humano. O mesmo é verdade para os dons não-discursivos.

Muitos não-carismáticos ainda têm problemas com processos não-discursivos porque, defendem eles, são naturalmente não verificáveis. Se ninguém pode dizer se se conformam às Escrituras, então tais processos ameaçam perturbar o papel exclusivo que a Bíblia exerce na fundação da Igreja.

Mas nem todos os casos de processos não-discursivos são igualmente um problema. Para os propósitos deste artigo, ignoraremos temporariamente as línguas porque seu conteúdo não é fácil de ser analisado racional e discursivamente. Para outros dons verbais, nós precisamos considerar separadamente o conteúdo de ensino, conteúdo circunstancial e conteúdo de aplicação.

Ensinamento de conteúdo é como um sermão extemporâneo sem um texto. Se o processo é não-discursivo, o orador não está consciente  acerca dos textos sobre os quais sua fala se baseia.  Contudo, ainda que o orador não esteja consciente dos textos, os ouvintes podem se tornar conscientes dos textos que são relevantes. Se o conteúdo é bíblico, tais textos existem. Se o conteúdo não é bíblico, então o orador não deve ser crido. Consequentemente este tipo de conteúdo é verificável. Qualquer um que conhece bem a Bíblia, ou conhece o evangelho, pode verificar se a mensagem corresponde ao que ele sabe. Em minha experiência pessoal, tais testes não são difíceis. Muito do que é chamado “profecia” nos círculos carismáticos carrega consigo  uma fraseologia Bíblica. Não é tão difícil ver esse caráter bíblico geral.

É claro que é um pouco fácil avaliar um sermão textualmente baseado. O texto é explícito e os ouvintes têm imediato acesso a ele. Eles podem comparar o texto com o que o pregador diz. Mas ainda há dificuldades. Um herege esperto pode usar um texto plausível. E um pregador não-herético pode se ver derrapando para fora do texto pela situação ou calor do momento. Discernimento é, no entanto, necessário na avaliação do conteúdo do ensino, sem discussão se o processo envolvido foi discursivo ou não-discursivo.

Perceba também que pessoas diferentes no modo de exercício do discernimento. Para algumas pessoas o discernimento pode ser usualmente discursivo. Em suas mentes eles se lembram de um texto bíblico que se conforma com aquilo que o pregador diz ou o contradiz. Outras pessoas podem discernir de um modo não-discursivo. Eles sentem que aquilo que o pregador está dizendo está correto ou errado. Eles não podem apontar um texto específico, mas eles apenas sabem, talvez pelo fato de terem assimilado e digerido uma grande quantidade de conteúdo bíblico. O conhecimento digerido deles agora trabalha subconscientemente em seus corações para dar-lhes discernimento. O pensamento brota espontaneamente de suas mentes “algo está errado com esta mensagem”.

Desde que o Espírito Santo está trabalhando na vida dos crentes, nós também podemos descrever esses processos como obra do Espírito. Claro que o Espírito Santo opera de formas que não podemos mensurar a profundidade, mas ele também trabalha por meios que podemos descrever, tais como nosso conhecimento das Escrituras, um conhecimento que ele mesmo produz (1ª Co 2:10-16). Pelo lado humano, primariamente há um processo discursivo ou não-discursivo, mas a descrição humana não contradiz o fato de que o Espírito está trabalhando (novamente, penso no exemplo dos livros de Lucas e Apocalipse).

Diferentes tipos de pessoas se ajudam. Ocasionalmente, uma pessoa que discerne de modo discursivo pode não estar imediatamente habilitada para pensar em um relevante texto bíblico para usar em sua avaliação da mensagem. Porém alguém mais sente, pela via não-discursiva, que algo está errado. Então essa pessoa com discernimento discursivo ganha mais tempo e finalmente um texto vem à mente para ajudar a julgar a veracidade da mensagem do orador.

Continua no próximo capítulo…


Título original: Modern Spiritual Gifts as Analogous to Apostolic Gifts: Affirming Extraordinary Works of the Spirit Within Cessationist Theology.

Fonte: http://frame-poythress.org/modern-spiritual-gifts-as-analogous-to-apostolic-gifts-affirming-extraordinary-works-of-the-spirit-within-cessationist-theology/

Tradução: Renan Moreira

Notas:

[1] Veja O Catecismo de Heidelberg, questão 31; Confissão de Fé de Westminster 8.1 e Breve Catecismo de Westminster, perguntas 23-26

[3] No lado carismático, veja Wayne Gruden, “o dom de profecia no Antigo Testamento e hoje” (Westchester:crossway, 1988) 277-297. No lado não-carismático, veja H.Ridderbos, “A autoridade das Escrituras do Novo Testamento’ (Philadelphia: Presbyterian and Reformed, 1963); R.B. Gaffin, Jr. Pespectivas sobre pentecostes: Estudos no ensino do Novo Testamento acerca dos dons do Espírito Santo (Grand Rapids: Baker, 1979) 89-93

[4]  Mais uma vez devo essa ideia às palestras em sala de aula feitas pelo Clowney

[5]  Note como J. Deere, surprised by the power of the Spirit (Grand Rapids: Zondervan, 1993) 64-71, argui por analogia a pura identificação entre os dons modernos de curar e os dons de cura exercido pelos apóstolos. Até este ponto, sua posição é semelhante a minha.

[6]  O nível dos dons messiânicos é mais difícil de ser analisado porque envolve mistérios da relação entre a verdadeira humanidade de nosso Senhor e sua verdadeira deidade. Com respeito a sua natureza humana, parece que o ministério de Jesus envolveu tanto processos discursivos (Jo 10:35-36; Mt 22:3-32) e processos não-discursivos (17:27; Lc 10:18)

[7] O.P. Robertson, The final Word: A Biblical Response to the case for Tongues and Prophecy today (Carlisle: Banner of Truth, 1993) 84. Este livro foi publicado em português

[8] A distinção entre comunicação direta e indireta de Deus também prova ser infrutífera. O que vale para ser direta? Deus deu as visões de Apocalipse com ou sem um background da composição psíquica de João e um conhecimento prévio da revelação do AT concernente a Daniel e Ezequiel? Deus deu a Pedro a visão de Atos 10 com ou sem Pedro ter fome? Deus deu a Pedro o sermão em At 2:14-36 com ou sem conhecimento prévio de Pedro acerca do AT e das instruções de Jesus constantes em Lc 24:44-49? É impossível responder qualquer uma dessas questões de modo definitivo, no entanto não é necessário respondê-las em ordem para apreciar o resultado das falas e atos de comunicação. O uso de Lucas dos resultados da pesquisa histórica  não desvaloriza o produto. O modo de revelação não é o problema na discussão da autoridade do produto.

[9] O melhor argumento para a continuação dos dons é provavelmente de Grudem em gift, em W.A. Grudem, The gift of Prophecy in I Corinthians (Washington: University Press of America, 1982). Para cessação, veja Gaffin, Perspectives; R.F.White, “Gaffin and Grudem on Eph 2:20: In defense of Gaffin’s Cessacionist Exegesis” WTJ 54(1992) 303-320; “Richard Gaffin and Wayne Grudem on I Co 13:10: A comparison of Cessationist and Noncessationist Argumentation” JETS 35/2 (1992) 173-181. A literatura sobre estas questões é volumosa. Mas Grudem e Gaffin são os porta-vozes mais articulados de ambas posições e podem ser tomados como representantes de um círculo muito mais amplo.

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