Qual o Papel do Espírito Santo em Lucas e Atos dos Apóstolos?

 

Durante muito tempo no século XX a igreja esteve dividida sobre o papel do Espírito Santo. Muitos assuntos válidos foram levantados, a saber: Qual seu papel na conversão Cristã? Quando o Espirito Santo capacita os crentes? Como se sabe que alguém recebeu o Espirito? Existe alguma diferença entre ter o Espírito, estar cheio, ou ser batizado no Espírito Santo? Qual é a relação entre o Espírito e os milagres?

Embora estes assuntos sejam úteis, é lamentável que algumas vezes o debate tenha sido conduzido de forma dividida e partidária, ao invés de focar em um esforço genuíno para entender e apreciar as diferentes perspectivas dentro do corpo de Cristo.  Em alguns momentos, os frutos do Espírito foram negligenciados na tentativa daquilo que tendia a forçar o Espirito a se adequar ao conjunto de pressupostos teológicos de cada grupo. O conhecimento e a erudição fornecem uma solução para alguns destes desentendimentos.

A crítica da redação pode redirecionar o estudo do Novo Testamento para examinar as contribuições e pontos de vista distintos de cada escritor separadamente, em vez de assumir que os programas teológicos dos escritores neotestamentários são basicamente os mesmos e, portanto, permutáveis. As perspectivas de Lucas, por exemplo, não deveriam ser indiscriminadamente interpretadas à luz da apresentação paulina sobre o Espírito Santo (ou vice-versa), porque os autores geralmente abordam diferentes temas concernentes à terceira pessoa da Trindade.

Ignorar as perspectivas individuais dos autores neotestamentários sobre o Espírito resultou em muita confusão. Isto não quer dizer que não exista uma mensagem unificada sobre o Espírito Santo nas Escrituras, mas ao mesmo tempo existe uma diversidade nas testemunhas para o Espírito que não deve ser negligenciada em nossas tentativas de harmonizar a pneumatologia bíblica. Quando se percebe que cada escritor do NT se apresenta de forma distinta em sua atuação na sinfonia do Espírito, os leitores experimentam mensagens novas e exclusivas vindas a seus ouvidos. Quando se sabe que Lucas tem uma mensagem distinta e particular, o tema do Espírito Santo é frequentemente ouvido em todos os seus documentos. Lucas apresenta o Espírito como a alegria e a celebração do evangelho, o fôlego da oração e do louvor, e o poder miraculoso por trás do testemunho ousado e eficaz. A fim de cumprir sua missão, a igreja hoje necessita redescobrir o prazer e o poder contidos na mensagem de Lucas sobre o Espírito Santo. É de se esperar que quando a igreja perceba a existência de diferentes apresentações no contexto neotestamentário, a divisão e os desencontros cessem, e a unidade e o poder (sim, um novo Pentecostes) aconteçam. Somente assim a igreja será cheia do Espírito para cumprir sua missão.

Qual o Papel do Espírito Santo em Lucas e Atos?

Recentemente houve um interesse renovado no estudo do Espírito Santo nos livros de Lucas e Atos. Tanto os membros da igreja, quanto os acadêmicos, começaram novamente a indagar a São Lucas questões sobre o Espírito Santo: Quem é o Espírito Santo? Qual seu papel? O recebimento do Espírito envolve a conversão ou a capacitação? Qual a mensagem distinta em relação ao Espírito que Lucas fornece? A mensagem lucana é aplicável à igreja hoje?  

A ascensão dos movimentos Pentecostais e Carismáticos motivou a igreja como um todo a redescobrir e redefinir o Espírito Santo e seu significado para a igreja hoje. Por um lado, o papel do Espírito na adoração extática e nos milagres, quase completamente dominou a atenção de alguns Cristãos; enquanto, por outro lado, alguns têm rejeitado completamente este protagonismo. Assim, uma forte discordância surgiu sobre os papeis do Espírito Santo na conversão, no fortalecimento e na natureza da experiência Cristã.

Muitos grupos não-carismáticos presumem que frases como “cheio com o Espírito Santo” e outras paralelas em Lucas-Atos referem-se à conversão, enquanto que a maioria dos Pentecostais presume a indicação de que algumas experiências extáticas, geralmente o falar em línguas, deva ocorrer.  Ambos os grupos estão parcialmente errados pois nenhum deles percebe ou aprecia que existem diferentes ênfases sobre o papel do Espírito Santo entre os autores do NT. Além disso, os estudos bíblicos têm mostrado uma renovação no interesse em Lucas e Atos nas últimas décadas. Durante este período os estudiosos desenvolveram uma nova forma de examinar o NT com respeito a cada perspectiva e observações exclusivas dos escritores canônicos. Esta abordagem, chamada de crítica da redação, oferece uma solução para o atual debate sobre o Espírito Santo.   

Tradicionalmente, na maioria das vezes a igreja usou o evangelho de Lucas como um mero suplemento literário aos evangelhos de Mateus e João nos estudos da “vida de Cristo”. Da mesma forma, o livro de Atos é forçado a servir como o quadro histórico e cronológico das viagens, bem como sobre a vida e os ensinamentos de Paulo. Fora isto, Lucas-Atos são frequentemente negligenciados como unidade literária. No entanto, Lucas escreveu estes dois livros como uma unidade teológica exclusiva, e merecem ser estudados como tal. Ao falhar em tratá-los como uma unidade, negligenciamos a integridade exclusiva e a mensagem de uma obra que compreende um quarto de todo o Novo Testamento!

A visão especial sobre o Espirito Santo, em Lucas, sofre severa negligência sob a abordagem tradicional, enquanto muitas de suas mensagens distintamente importantes são perdidas quando pedaços e partes da sua obra são desperdiçadas na tentativa de harmonizar a mensagem global do NT. Isto é especialmente verdade quando a sua pneumatologia, i.e., sua visão sobre o Espírito, é indiscriminadamente agrupada com as pneumatologias Paulina e Joanina.

Os Perigos de Negligenciar a Mensagem Exclusiva de Lucas: O que está em Jogo?

Negligenciar a mensagem exclusiva de Lucas e Atos põe em perigo a igreja de várias formas: ao risco de interpretar erradamente as Escritura, de causar divisão na igreja, e de negar a natureza da inspiração cristã.

A Escritura  

Primeiro, o entendimento adequado da Escritura cai em perigo quando as mensagens exclusivas dos escritores do Evangelho são ignoradas. Cada escritor do NT tem razões distintas, além de ocasiões únicas para escrever, e, portanto, cada obra deve ser estudada em particular. Isso não significa dizer que é completamente injustificável tentar harmonizar o material neotestamentário em uma mensagem única, visto que essa tentativa pode ser um exercício frutífero. Mas a mensagem distinta de cada Evangelho necessita ser ouvida também.

Com efeito, ouvir a ênfase comum nos quatro Evangelhos é como ouvir uma sinfonia. A harmonia que eles produzem fornece uma forte mensagem, mas a música geralmente inclui a participação de solistas também.  É durante estas realizações dos solos que a mensagem exclusiva de cada Evangelho se evidencia. Cada qual possuindo tons e ênfases distintas. Assim, Mateus enfatiza a realeza de Jesus e o cumprimento profético; Marcos fala de ação, conflito, e o papel da servidão; João, por sua vez, fala da divindade de Jesus; enquanto Lucas fala da alegria, louvor, e do Espirito Santo. Estas mensagens exclusivas frequentemente são perdidas quando todos os livros são tratados de maneira unificada. A harmonização à custa dos temas individuais pode, na realidade, se tornar (mudar a metáfora) homogeneização. A contribuição original de cada obra não é respeitada, e é criado um novo produto não intencionado pelos escritores; assim o padrão de identidade de cada Evangelho é perdido.

A Unidade

Segundo, uma abordagem puramente harmônica para as pneumatologias dos vários escritores do NT coloca a unidade da igreja em perigo. Isto é especialmente verdade quando aqueles que interpretam as Escrituras passam a ignorar que cada escritor do NT não aborda a mesma questão ao mencionar o Espírito Santo. Como discutiremos mais adiante, a pneumatologia de Paulo frequentemente aborda a questão da ontologia – o papel do Espírito Santo na conversão e no sustento da vida de um Cristão – enquanto João está mais interessado nas inter-relações entre o Pai, o Filho, o Espírito Santo e os crentes. Lucas, entretanto, está mais interessado no papel do Espírito Santo na capacitação dos crentes para testemunhar. Quando se tenta interpretar a pneumatologia lucana pelas de Paulo e de João, ou vice e versa, um desequilíbrio doutrinal ocorre. Não é de se admirar, portanto, que as igrejas briguem e se dividam sobre o que deveria ser seu maior bem e indispensável base comum: o Espírito Santo. Quando um grupo tenta sustentar uma pneumatologia do NT sobre outra, mal-entendidos, divisões e muita dor, acontecem.

A Inspiração

Terceiro, as abordagens exclusivamente harmônicas para as variadas apresentações do Espírito Santo do NT ignoram a natureza da inspiração Cristã. A igreja primitiva insistiu nos quatros Evangelhos. A tentativa de Taciano para harmonizá-los em uma versão mais curta não se popularizou universalmente. A igreja reconheceu que o assunto dos Evangelhos não era apenas registrar fatos sobre a vida e os ensinamentos de Jesus. Além disso, a igreja via os Evangelhos como as proclamações das boas novas escritas por diferentes indivíduos com diferentes perspectivas e vocabulários. Os evangelhos são testemunhos únicos que, embora inspirados, refletem o traço distinto da personalidade e preocupação de cada escritor. A visão cristã da inspiração não elimina o elemento da participação humana. Os escritores não vieram sob uma recitação mágica em que o controle sobre si mesmos estava indisponível. Até mesmo quando Deus deu visões aos autores da Escritura, envolveu a vontade deles em registar o evento. Em Atos, quando pessoas como Pedro e Paulo são cheias com o Espirito Santo e falam, eles ainda estão de posse de suas próprias faculdades mentais mesmo que o Espírito Santo esteja superintendendo a mensagem e inspirando as palavras. Aparentemente, o processo de produção da Escritura não era diferente da profecia da igreja primitiva.  O falante inspirado pelo Espirito ainda estava no controle de seu próprio espirito, mente, e cordas vocais (1 Co 14:31-32). A inspiração cristã envolvia a ativa participação humana e não passividade vazia.

Algumas perspectivas cristãs da inspiração assemelham-se a do Islã, na qual ensina que Mohammed recebeu uma revelação palavra por palavra de Alá; Mohammed servia apenas como o registrador. É por isso que os muçulmanos insistem em apenas um Corão e criticam os Cristãos por terem quatro Evangelhos. Para os cristãos, entretanto, a revelação final é a pessoa de Jesus Cristo, o Verbo de Deus. Mas em um sentido bem real, os Evangelhos são a palavra divina, ao passo que permanecem como palavras das testemunhas humanas.  O cristão vê o Espírito Santo como sendo responsável não apenas por inspirar o conteúdo da Escritura, mas também por escolher os autores. Portanto, podemos celebrar as diferenças nos Evangelhos bem como as similaridades como parte da mensagem inspirada.

A Perspectiva de Lucas Sobre o Espirito Santo: Como Ela é Exclusiva?

A validade das diferenças no cânon do NT é especialmente clara nas distintas apresentações do Espírito Santo. Mesmo que Lucas estivesse bem familiarizado com várias apresentações escritas do evangelho (Lc 1:1), ele se sentiu compelido a compor ainda outro evangelho para enfatizar, entre outras coisas, a obra do Espírito Santo. Todos os escritores do Evangelho se referiam ao Espirito, mas Lucas enfatizou o papel do Espirito mencionando-lhe nos eventos onde os outros escritores do Evangelho não o fizeram. Por que Lucas fez isto? Nosso estudo irá demonstrar que ele estava geralmente apontando para o papel do Espírito Santo efetuando milagres e inspirando testemunhas. Esta é uma das principais razões pelas quais Lucas escreveu seu Evangelho e o livro de Atos, isto é, adicionar às publicações existentes “fatos que entre nós se cumpriram” (Lucas 1:1, ACF).

Identificando a Perspectiva Exclusiva de Lucas: Qual Método Será Utilizado?

Lucas contrasta com os Evangelhos Sinóticos: Como se pode identificar o distinto interesse de Lucas no Espírito Santo? Um estudo dos Evangelhos Sinóticos em uma sinopse ou harmonia dos Evangelhos revela diferenças significativas na apresentação e ênfase na mesma passagem. A disciplina que tenta identificar as razões para essas diferentes ênfases é chamada de crítica da redação. Comparando e contrastando como os escritores dos Evangelhos apresentam os mesmos eventos na vida de Jesus, podemos identificar as suas principais razões para escrever seus Evangelhos. A crítica da redação tem formas tangíveis e mensuráveis de identificar programas teológicos distintos em cada Evangelho. Estes incluem o estudo:

  • Do vocabulário e estilo distinto de cada evangelista (escritor do Evangelho),
  • Da repetição de temas no mesmo evangelho;
  • Da comparação e contraste da mesma passagem nos diferentes Evangelhos;
  • De como o evangelista lida com suas fontes;
  • O que o evangelista omite de suas fontes (particularmente quando Marcos é usado como a fonte);
  • O que o evangelista adiciona ao material comum do evangelho[1]. Assim podemos ver a ênfase distinta do poder e testemunho na apresentação do Espírito Santo em Lucas muito mais claramente quando contrastamos seu Evangelho com os outros Evangelhos, como faremos na próxima seção.

O contraste entre Lucas e Paulo: A revelação também é o contraste entre a apresentação do Espírito Santo de Lucas e a pneumatologia de Paulo. Paulo, assim como Lucas, conecta a plenitude do Espírito com o discurso inspirado (Ef 5:18-20). Da mesma forma, Paulo associa o Espírito com a oração eficaz, até mesmo como Lucas o faz (Rm 8:26-27). Mas existem algumas diferenças profundas a serem consideradas. A pneumatologia de Paulo é penetrante e ampla em seu escopo; o escopo da influência do Espírito abrange quase todos os aspectos da vida (Ef 5:18-6:9)[2] e embora Paulo discuta o fortalecimento em conexão com o Espírito Santo, frequentemente aborda o assunto pelo viés ontológico quando menciona o Espírito Santo. Em Romanos 8 Paulo discute os efeitos da conversão cristã e a salvação em relação à “vida no Espírito” (8:2-8). Ele usa frases tais como “ter o Espírito” (8:9) e ser “guiado pelo Espírito” (8:14) para descrever a conversão e o estilo de vida Cristão.

A apresentação de Lucas da obra do Espírito Santo, em comparação, é muito mais estreita, especialmente em relação ao uso de ser “cheio com o Espírito Santo” ou “cheio do Espírito”. Para Lucas estas duas frases geralmente indicam que o testemunho inspirado está prestes a ocorrer ou ocorreu. O mesmo é verdadeiro para outras expressões que Lucas usa ao descrever a atividade do Espírito Santo. A função mais frequente e dominante da pneumatologia lucana é o testemunho e o discurso inspirado. Não é surpresa, portanto, que Lucas também descreva o Espírito Santo como a fonte principal do louvor e regozijo. Mostra também que o Espírito é responsável pelas obras miraculosas e inextricavelmente conecta o Espírito ao Reino e à oração. Onde uma destas atividades evidenciam-se, as outras frequentemente acompanham. Por isso, em Lucas-Atos os receptores do Espírito Santo são, como Moisés, “poderoso em … palavras e obras” (At 7:22), ou mesmo como o próprio Jesus “poderoso em obras e palavras” (Lc 24:19). Lucas não mostra tanto interesse quanto Paulo no papel do Espírito na conversão e naqueles crentes que estão em Cristo; diferentemente, o poder para a missão chama a maior parte da atenção de Lucas.

Distinções do Espírito nos Sinóticos e em Atos: Um Resumo

Para reconhecer as percepções exclusivas do Espírito no registro lucano, vamos começar resumindo as apresentações do Espírito Santo nos outros Evangelhos Sinóticos e em seguida em Lucas-Atos. Tal resumo fornecerá um contraste que nos permitirá ver mais claramente a intenção teológica de Lucas. Após vermos as pneumatologias nos Evangelhos e em Atos como sistemas teológicos separados, procederemos com as comparações e contrastes em textos específicos de Lucas (Caps. 2-10) e em Atos (Cap. 11). Estas similaridades e diferenças demonstrarão que embora os escritores dos Evangelhos concordem sobre os pontos essenciais das boas novas de Jesus, a mensagem do Evangelho tem muitas distinções com muitas aplicações exclusivas para a vida cristã.   

O Espírito Santo em Marcos. A pneumatologia de Marcos[3] inclui os seguintes componentes:

  1. Jesus é descrito como aquele que batiza no Espírito Santo para indicar que o ministério de Jesus é maior que o ministério de João. O escritor de Marcos está sem dúvidas ciente do fenômeno carismático atribuído ao Espírito Santo durante a era apostólica. Além disso, na versão final de Marcos as línguas e os milagres aparecem em um final mais longo (16:17-18). Entretanto, Marcos não apresenta explicitamente a profecia de João concernente a Jesus – o que batiza no Espírito – cumprida no Pentecostes. Parece que a referência ao Espirito Santo (Mc 1:4-14) mostra principalmente a superioridade do ministério de Jesus sobre o de João e identifica Jesus como sendo o Filho de Deus. A função das principais referências não é afirmar que o Espírito Santo capacitou Jesus no batismo. Além disso, as manifestações em 16:17-18 não são especificamente atribuídas ao Espírito Santo. Por isso, Marcos está contente em apresentar a profecia do Espírito Santo concernente a Jesus através da perspectiva temporariamente limitada de João Batista, e ele não antecipa o entendimento da igreja da profecia após o Pentecostes.
  2. Jesus estava em algum grau subordinado ao Espírito Santo. Após o batismo o Espírito impulsionou Jesus a uma confrontação com o tentador (Mc 1:12-13).
  3. As obras de Jesus foram as obras do Espírito Santo, aqueles que falavam contra os exorcismos realizados por Jesus estavam blasfemando contra o Espirito Santo (Mc 3:22-30). No verso 30, Marcos implica que o Espírito Santo estava em Jesus; entretanto, isto é parentético e não parece ser um de seus maiores interesses.
  1. A antiga profecia foi proferida por meio do Espírito Santo, especialmente profecias a respeito de Jesus (Mc 12:35-36).
  1. O Espírito Santo falou especialmente através dos crentes quando eles foram confrontados pelas autoridades (Mc 13:11).
  1. O dito da blasfêmia contra o Espírito Santo, em conjunto com a condução de Jesus pelo Espírito Santo à cena da tentação, pode indicar uma função especial do Espírito, i.e., a habilidade de confrontar o Diabo com sucesso, mas isso é na melhor das hipóteses, apenas sugerido.

O material sobre o Espírito Santo em Marcos é mínimo comparado aos outros Evangelhos. O público e os objetivos de Marcos podem não ter exigido registros sobre o relacionamento do Espírito Santo com Jesus e os crentes, mas ainda em comparação com o que Mateus, Lucas, João e Paulo explicitamente dizem sobre o Espírito, Marcos é de fato enfraquecido. Quando Marcos não menciona o Espírito Santo, ele o faz principalmente para identificar Jesus como o Messias, o Filho de Deus.

O Espírito Santo em Mateus: A pneumatologia de Mateus é muito mais extensa do que a de Marcos e contém os seguintes elementos:

  1. O Espírito Santo foi o agente na concepção de Jesus (1:18);
  1. O batismo no Espírito Santo e no fogo distingue o ministério de Jesus do de João Batista (capítulo 3). O fogo parece ser principalmente um batismo de julgamento. Para Mateus, a referência a Jesus como aquele que batiza é principalmente usada para advertir os Fariseus e Saduceus de que Jesus executaria justiça no contexto imediato: Mateus, entretanto, indica aqui e em outro lugar (28:19) que o batismo no Espírito Santo e o batismo no fogo são dois batismos diferentes. Dois grupos foram abordados na pregação de João Batista em Mateus: (1) os verdadeiros arrependidos e (2) os Fariseus e Saduceus. O fogo é para as árvores que não dão fruto (3:8-10). O batismo com o Espírito Santo que é para os crentes está implícito na fórmula batismal em 28:19;
  1. Como em Marcos, a cena do batismo identifica Jesus como aquele que está associado com o Espírito Santo e, portanto, como o grande batizador. Isso providencia uma ocasião para uma voz do céu identificar Jesus como o Messias (3:16-17);
  1. O Espírito Santo guia Jesus (4:1);
  1. O Espírito Santo (o Espírito de Deus) permite Jesus proclamar julgamento e guiar a justiça a vitória. Mateus considera isto como um cumprimento da profecia concernente a habilidade de Jesus de curar e/ou sua evidente anulação do conflito com os Fariseus. Mateus vê o Espírito como maior pelo menos em um sentido hierárquico (12:15 -21).
  1. O Espírito, o Espírito Santo, e o Espírito de Deus são sinônimos (cap. 12).
  1. O Espírito do Pai fala através dos crentes quando confrontados pelas autoridades (Mt 10:19-20);
  1. Falar contra as palavras de Jesus é falar contra o Espírito Santo, que é um pecado capital (12:22-32);
  1. Como implícito em Marcos, realizar exorcismos e confrontar o Diabo está associado com o Espírito Santo e ao seu poder (12:28);
  1. Os profetas falaram pelo Espírito (22:43);
  1. Os batismos realizados pelos discípulos devem ser feitos em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo. Toda autoridade foi dada a Jesus. Aparentemente, anterior a ressurreição, Jesus opera pela autoridade do Espirito Santo. Jesus dá poder (implícito) aos discípulos na comissão (28:18-20);

O material de Mateus está mais detalhado que o de Marcos. Isto poderia muito bem indicar uma expansão das tradições do Espírito na igreja. Mas esta não é uma conclusão necessária. Para supor isso, o material de Marcos teria que ser identificado como uma das fontes mais antigas disponíveis para a pneumatologia cristã nos textos existentes. O interesse de Marcos na Cristologia e Paixão podem ter minimizado seu interesse no relacionamento do Espírito com Jesus e a igreja. O entendimento da obra do Espírito Santo comum para o material Paulino e Joanino e para Lucas e Mateus indica uma pneumatologia básica e difusa que excede o conteúdo apresentado em Marcos.

O material de Mateus sobre o Espírito Santo serve bem dois de seus interesses distintos: o papel da igreja (eclesiologia) e a identificação de Jesus (Cristologia). Mateus frequentemente fala dos afazeres da igreja quando os outros escritores não o fazem (por exemplo, Mt 16:17-19; 18:15-20; 20:1-16; 28:18-20). Mateus vê o Espírito Santo como a fonte da inspiração e autoridade para a igreja (10: 19-20; 28:18-20). Seguindo a direção de Marcos, Mateus também enfatiza a ligação de Jesus com o Espírito Santo para demonstrar a sua filiação. Mateus enfatiza que embora Jesus tenha se humilhado aceitando o batismo das mãos de João, ele é maior do que João Batista.  A descida do Espírito Santo como um resultado do batismo de Jesus prova a profecia de João: Aquele que viria depois seria maior no Espírito. Este é um ponto importante que Mateus define para um púbico decididamente judaico.  

O Espírito Santo em Lucas: Como os outros escritores do Evangelho, Lucas usa o material do Espírito Santo para estabelecer pontos teológicos distintos. Seu material sobre o Espírito pode ser resumido da seguinte maneira:

  1. João, filho de Zacarias, é cheio com o Espírito Santo no ventre de sua mãe. Portanto ele é grande perante o Senhor, Ele é cheio com o Espírito Santo aparentemente para ser capacitado a fim de realizar a tarefa de proclamar o Reino e o evangelho e para testemunhar o Messias (1:15,17,41; 3:2).
  2. O Espírito é responsável pela concepção de Jesus. Por isso Jesus é santo. Além disso, por causa da atividade do Espírito Santo, Jesus é chamado o Filho de Deus (1:35). Pode também ser dito que o Espírito é o meio pelo qual o Messias vem, e todo o ministério de Jesus descrito em 1:32-33 pode ser atribuído, pelo menos inicialmente, à agência do Espírito Santo (i.e., chamado de o Filho do Altíssimo, acessão ao trono de Davi, reino sobre a casa de Jacó com um reino que não teria fim).
  3. O Espírito Santo revela coisas às pessoas e as capacita a falar com autoridade em profecia, tanto anunciado quanto predizendo. Isso frequentemente ocorre quando o autor percebe que Espírito Santo vem sobre ou enche as pessoas tal como Isabel, Zacarias, Simeão, João, e até mesmo Jesus (1:15, 17, 41s.; 2:25ss.; 3:2, 22; 4:1, 14, 18).
  4. O enchimento do Espírito Santo e sua permanência em alguém funciona de duas maneiras: Primeiro, o enchimento pode ser visto como um estado de permanência, por exemplo em João, Jesus, e possivelmente Simeão (1:15 com 1:41, e 3:2; 4: l, 14; 2:25.). Segundo, Lucas também usa isso para expressar a dotação especifica pelo Espírito Santo para uma ocasião determinada. Tal dotação geralmente capacita aquele que recebe a testemunhar com autoridade sobre Jesus ou a história da salvação, interpretar adequadamente as sagradas escrituras, falar da natureza do Reino do Messias, ou confrontar e derrotar os inimigos do verdadeiro Israel. O uso parece ser o tema dominante mesmo nas passagens onde “plenitude” como um estado de permanência pode ser inferido.
  5. Embora tenha um relacionamento especial com o Espírito Santo como indicado no aviso para Maria, ele recebe poder do Espírito Santo no batismo para começar seu ministério (4:l, 14, 18);
  6. Jesus está associado com o Espírito Santo na Profecia de João Batista sobre aquele que batiza no Espírito Santo (3:16);
  7. Em Lucas, o batismo no Espírito Santo não é principalmente um batismo de julgamento, mas um batismo de capacitação (3:16 com Atos 2:3; perceba também a falta de referência à vingança ou a arrependimento em Lucas 4:18);
  8. O Espírito Santo guia as pessoas de um lugar para outro, como no caso de Simeão no Templo e Jesus no deserto da tentação (Lucas 2:27;4:1). (Isto pode ser um pouco paralelo ao relato em Atos da transposição sobrenatural de Felipe para Gaza em 8:39);
  9. De acordo com a introdução de Lucas do ministério de Jesus na Galileia na sinagoga de Nazaré, o Espírito Santo desce e unge Jesus para proclamar o cumprimento da Escritura, para interpretar com autoridade, para recontar a história da salvação de Israel, para libertar os cativos do maligno, para confrontar e derrotar o mal, para curar, para pregar as boas novas, e para fazer maravilhas em geral (4:14,18).
  10. A blasfêmia contra o Espírito Santo não é para fornecer uma testemunha para Jesus quando o Espírito Santo fornece a habilidade de fazê-lo (12:10-12).
  11. Jesus dá o poder do Espírito a seus discípulos (9:1 implícito e 24:49). A fonte do poder para fazer maravilhas é atribuída ao Senhor (5:17), ao nome de Jesus (em Atos 3:6, 16; 4:7, 10, 17-18, 30), e ao Espírito Santo (4:18). Esta sobreposição continua em Atos;
  12. A atividade do Espírito Santo é vista como um evento na salvação da história de Israel. O Espírito Santo é fonte e direção para a história da salvação, e em certa medida o advento do Espírito Santo é o cumprimento do eschaton (Lucas 3:16 com Atos 2:3; Lucas 1 [variante]; Lucas 24:49 com Atos 1:6-8).

Embora a obra do Espírito Santo e o ministério de Jesus se sobreponham no livro de Lucas (como em outro lugar), o Espírito Santo tem uma extensa obra separada da obra de Cristo. Ian Howard Marshall está correto em identificar o tema central do escrito de Lucas como “Jesus oferece salvação aos homens” (Lucas 19:10; Atos 4:12)[4]. Para Lucas, entretanto, isto é principalmente revelado pelos atos do Espírito Santo e ao redor da igreja (Atos 5:32). A obra do Espírito Santo, embora variada, serve como uma função primária em Lucas e Atos: testemunhar o ministério de Jesus e provocar a obra da salvação na igreja. A função principal do Espírito Santo em Lucas e Atos é testemunhar sobre Jesus. 

O Espírito Santo em Atos: A atividade do Espírito Santo como apresentado em Atos pode ser resumida em cinco principais categorias: o Espírito e Jesus, o Espírito e as Escrituras, o Espírito e os crentes, o uso especializado de Lucas da frase “cheio com o Espírito Santo”, e o Espírito Santo como um “evento”.

O Espírito Santo e Jesus: 1. O Espírito Santo capacita Jesus para dar ordens a seus apóstolos (Atos 1:2).

  1. Deus unge Jesus com o Espírito Santo e poder no seu batismo, capacitando-lhe a fazer o bem, curar, e a confrontar subjugando o mal. Jesus, por quem a paz é pregada a todos, que é Senhor de tudo, que por meio de sua morte ressurreição se tornou juiz de tudo, e que tornou disponível o perdão dos pecados para todos, é ungido com o Espírito Santo e poder. Ele, em troca, manda o Espírito e poder derivativo para seus discípulos e seguidores (2:23; 10:36-38). A obra de Jesus certifica o poder de Deus operando através dele (2:22).
  2. O Espírito e as Escrituras. O Espírito Santo inspira e fala através dos escritores passados (4:25; 28:25). O Espírito Santo, ou o estado de estar cheio com o Espírito Santo, aparentemente permite a interpretação adequada das Escrituras. Ser cheio com o Espirito Santo está relacionado ao relato da história da salvação. (Veja os sermões de Pedro e Estevão – 2:14, 4:8; 6:10).
  3. O Espírito e os crentes. a) O Espírito Santo guia e capacita os crentes em uma maneira similar à forma que ele guia a capacita Jesus (15,8; 2:23, 38; 10:37; e frequentemente em Lucas e Atos).
  4. b) O Espírito Santo fala aos crentes (13:2; 20:23; 21:11; 28:25).
  5. c) O Espírito Santo miraculosamente transporta as pessoas (8:39).
  6. d) Existe uma relação direta entre o Espírito Santo e, os sinais, maravilhas, curas (10:38; 5:32; 13:9-10); entretanto, os sinais e as maravilhas são também feitos no nome de Jesus.
  7. e) O poder recebido após o Espírito Santo vir sobre o crente e principalmente para o testemunho de Jesus (2:4ss.; 4:8, 31; 6:5 ss.; 9:17ss.; 13:9, 48-49, 52; e outras passagens).
  8. f) O batismo dos crentes e a recepção do Espírito Santo estão intimamente associados, se não sinônimos (2:38 ss.; 8:39 [variante]; 19:2 ss.).
  9. g) O Espírito é a fonte da profecia e discernimento para os crentes (2:17 ss.; 16:6; 20:23; 21:10 ss.).

“Cheio com o Espírito Santo” 1. A frase é usada em conjunto com a recepção do Espírito Santo como em 2:4 ss. e 10 ss. (na última citação, embora a frase não seja especificamente usada, o contexto identifica-a como sinônimo com o relato de Atos 2:4ss.).

2. Lucas emprega esta frase quando uma dispensação especial do Espírito é manifestada ou quando os leitores devem lembrar do poder por trás da pessoa que estava falando com autoridade (e.g. Atos 4:8, 31; 6:3, 5; 7:55; 13:9). O uso da frase em conexão com declarações distintas, interpretação da Escritura, atos de discernimento, visões, e revelações, mostra que Lucas entende que estas manifestações e percepções vieram diretamente do Espírito Santo; portanto, estes atos proclamam verdades divinas. Lucas acredita que está descrevendo manifestações, interpretações, e entendimentos inspirados pelo Espírito Santo.

Os sermões em Atos que são dirigidos aos Judeus e à casa de Cornélio, o falante é muitas vezes percebido por estar cheio do Espírito Santo, ou cheio com o Espírito Santo, ao mesmo tempo que fala. Além disso, estes discursos geralmente contêm algumas formas de relatar a história da salvação relatadas no Antigo Testamento em relação a Jesus e/ou à igreja primitiva. Ao reconstruir os discursos desta maneira, Lucas está declarando que o Espírito que incitou os escritores de outrora e provocaram as maravilhas de Deus no AT é o mesmo Espírito que agora fala através da igreja. Lucas faz um esforço consciente para ligar os eventos da igreja com os eventos da redenção de Deus no passado. Pelo mesmo Espirito que tinha inspirado os profetas de outrora. a igreja reconhece que estes eventos tanto passados quanto atuais são partes de um e do mesmo plano de Deus.

O Espírito Santo como um “Evento”. Às vezes Lucas trata o Espírito Santo como um “evento” que valida as reivindicações de Jesus e sua igreja. Assim, o advento do Espírito Santo na vida da igreja é visto como um ato da história da salvação e, de acordo com o sermão de Pentecostes, é, em certa medida, o cumprimento da história da salvação.

Assim, o Espírito Santo fala, guia e edifica a igreja, assim como falou através dos profetas de outrora. Ele também capacita a igreja, mas aqui Lucas identifica a obra do Espírito e o nome de Jesus juntos como a fonte do poder para os crentes em Atos. O Espírito Santo não é apenas um nome para a divindade, mas é também um evento – um ato na história da salvação. Manifestações do Espírito Santo testemunham a Jesus e a igreja. Entretanto, em Atos, a função mais frequente do Espírito Santo é testemunhar Jesus, capacitando os crentes a falarem com autoridade a respeito do Filho de Deus. Em Atos, Lucas mantém a pneumatologia que apresenta em seu Evangelho. Inspirados pelo Espírito Santo, os crentes relacionam a história da salvação de outrora a Jesus, cumprem a profecia, interpretam corretamente as Escrituras e confrontam os poderes de Satanás. Assim, os discursos (ou as referências a discursos) em Atos são frequentemente prefaciados com algum comentário sobre a relação do orador com o Espírito Santo. Esta é em geral uma explicação que indica que o orador está especialmente capacitado para falar nessa ocasião (geralmente sinalizado por “cheio” ou “foi cheio com o Espírito Santo”), ou que o orador está cheio do Espírito Santo em um sentido contínuo, ou até ambos. Este não é o uso exclusivo de “cheio com” ou “cheio do Espírito Santo”, mas é o uso dominante e consistente (Atos 2: 4ss., 4:8, 31, 6: 3, 5; 7:54 ss; 11:24; 13:9; 19:6).

Esta função especial do Espírito Santo em Atos serve ao propósito geral do livro. Encher-se do Espírito Santo significa primeiramente ser uma testemunha de Jesus e de suas obras. O Espírito que causou os eventos passados de libertação e que falou através dos profetas é o mesmo Espírito que dá poder a Jesus e que faz com que os apóstolos e discípulos proclamem a verdadeira história da salvação, assim como trabalhem as maravilhas que Lucas relatou a Teófilo.

Não é de surpreender que a pneumatologia do Evangelho de Lucas seja muito semelhante à de Atos, sendo de interesse mais particular o fato de Lucas ajustar o material sinóptico de acordo com os conceitos do Espírito Santo que ele e sua comunidade experimentaram. Assim, a pneumatologia dos Atos se sobrepõe ao Evangelho de Lucas. Felizmente Lucas não elimina totalmente a pneumatologia de suas fontes. Isso não é necessário, uma vez que ele está realmente expandindo, aplicando e esclarecendo as tradições que recebeu. Quando Lucas é comparado e contrastado com os outros sinóticos, as diferenças na pneumatologia tornam-se muito mais aparentes. Nos capítulos 2-10, uma análise do material em Lucas em comparação e contraste com os outros Evangelhos Sinóticos demonstrará isso.

Plano de Estudo

Este estudo de Lucas-Atos demonstrará que Lucas enfatiza o papel do Espírito Santo tanto nos milagres quanto na proclamação da igreja. O papel que mais atrai a atenção de Lucas, porém, é o do testemunho inspirado pelo Espírito. Primeiro, examinaremos as referências de Lucas ao Espírito Santo em seu Evangelho. Comparando e contrastando a maneira como os escritores do Evangelho lidam com passagens que têm em comum, notaremos o realçado interesse de Lucas no Espírito Santo. Quando analisamos as passagens que somente Lucas dispõe (o que é chamado de material L), veremos que o Espírito Santo e o testemunho são o cerne da teologia lucana. Identificar o vocabulário distintivo de Lucas mostrará como ele ajustou suas fontes do evangelho para enfatizar o papel do Espírito Santo. Finalmente, veremos a pneumatologia de Lucas florescer e proliferar nos Atos dos Apóstolos, onde ela não é mais dependente das fontes dos Evangelhos Sinópticos que ele trata tão diferencialmente. Veremos que na mão de Lucas, o testemunho inspirado pelo Espírito Santo dominam um quarto dos documentos neotestamentários que chamamos de Lucas e Atos. Espero que através deste estudo a Igreja escute mais claramente a mensagem que Lucas proclamou há quase 2000 anos: “Cheio do Espírito Santo … fala a palavra de Deus com ousadia”.


Tradução: Idelmar Campos

Revisão: Renato Cunha


[1] Este “novo” material não significa que seja espúrio; ele também poderia ter origem apostólica. Nenhum escritor do Evangelho nos disse tudo que poderia ser dito sobre Jesus (João 20:30; 21:25)

[2] Perceba que gramaticalmente Efésios 5:18—6:9 é uma unidade. Paulo descreve o que significa ser cheio com o Espírito pela frase com uma sequência de particípios: “falando entre vós em salmos, e hinos e cânticos espirituais … dando sempre graças, e “sujeitando-vos uns aos outros no temos em Cristo”. Esta descrição da vida cheia do Espírito envolve adoração cooperativa, vida familiar e emprego.

[3] Para um tratamento da pneumatologia de Marcos ver M. Robert Mansfield, Spirit & Gospel in Mark (Peabody: Hendrickson, 1987), 18—19, pp. 164-65.

[4] I. H. Marshall, Luke: Historian and Theologian (Grand Rapids: Zondervan, 1970), 1-16ss.

 

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Categorias: Estudos Bíblicos (AT/NT)

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