A EXPLOSÃO PENTECOSTAL | Parte 1 | Por Jack Hayford

A edição de setembro de 1906 da publicação The Apostolic Faith, trouxe uma história sobre A.G. Garr e sua esposa e o chamado para serem missionários na Índia. O artigo afirma que através do dom de línguas “Garr foi capaz de orar por um nativo da Índia “através” de sua própria linguagem.” 1 Este incidente convenceu Garr e sua esposa que eles foram chamados para o Oriente e que Deus havia sobrenaturalmente dado a eles, através do dom de línguas, os idiomas bengali e mandarim. Na primavera de 1906, Garr, que à época pastoreava a Burning Bush Mission em Los Angeles, ouviu a respeito do avivamento da Rua Azusa e frequentou reuniões lá. Ele foi batizado no Espírito em Junho, tornando-se o primeiro ministro branco a falar em línguas. A esposa de Garr logo foi batizada no Espírito também e testemunhou falar mandarim.

Garr compartilhou sua experiência e chamado para a Índia com sua igreja, mas o seu conselho rejeitou seu recém encontrado caminho pentecostal, levando Garr a rapidamente resignar de sua função. Quando ele contou sua história na Missão Azusa a resposta foi muito diferente. Entusiasmada com a notícia, a congregação da Apostolic Faith Mission ofertou para a família Garr algumas centenas de dólares para custear sua viagem. Uma vez que William Seymour estava ensinando a mesma mensagem que recebeu de Charles Parham, nomeando aquele falar em línguas como xenoglossa, e que através deste dom, Deus iria acelerar a evangelização dos perdidos nos últimos dias, o testemunho da família Garr foi uma confirmação para ele. Uma profecia entregue em 1906 na Missão reflete sua mentalidade missional naquela época: “O tempo é curto e eu enviarei muitos no Espírito de Deus para pregar o Evangelho pleno, no poder de Deus.”2

A família Garr, como outros pentecostais pioneiros, estavam certos de que não havia tempo de sobra para rigorosos estudos linguísticos. Cristo estava voltando à qualquer momento e eles precisavam avançar para o campo missionário. No início de 1907 eles já estavam em Calcutá para começarem seu ministério. A família Garr estava entre os mais conhecidos no antigo grupo de missionários da Rua Azusa.

Outro missionário alertou Garr que a língua que ele falava não era o bengali, mas Garr estava convencido do contrário, testemunhando que dois garotos indianos tinham confirmado de que ele estava falando bengali.3 Depois de chegarem à Índia, Garr logo concluiu que os indianos não o compreendiam quando ele tentava se comunicar falando em línguas. Mesmo assim ele pregou a mensagem pentecostal, declarando que o batismo no Espírito vinha com a “evidência bíblica” do falar em línguas. Um pequeno avivamento irrompeu em Calcutá através de sua pregação. Pessoas foram profundamente convencidas do pecado e caíam no chão, “uivando, gritando, gemendo… chorando, contorcendo-se, tremendo…”4 Como na Rua Azusa, o avivamento de Calcutá viu pessoas cantando juntas em línguas ou fazendo melodias em “canções sem palavras”, com harmonias que eram inspiradoras. Houveram relatos de “riso santo” e um vento sobrenatural que soprava nas reuniões.

A.G. Garr ministrou por quase uma década no Extremo Oriente antes de retornar aos EUA em 1916. Uma das suas mais significativas contribuições ao pentecostalismo inicial, foi a forma que ele redefiniu a doutrina da “evidência bíblica”. Enfrentando seu desapontamento em relação aos indianos não compreenderem o seu falar em línguas, ele se conflitou com a doutrina. Garr ainda sustentava a idéia que as línguas eram a evidência do batismo com o Espírito Santo, mas ele não acreditava mais que o dom era destinado a acelerar a evangelização mundial.

Em vez disso, falar em línguas era um dom para “fortalecimento espiritual”. Falar em línguas elevava a percepção da presença de Deus e o caráter sobrenatural da vida cristã, como “estas línguas estranhas fluíam do Espirito de Deus através da alma e então retornam a Ele em louvor, em profecia ou em adoração.”5 O historiador pentecostal Gary McGee acredita que a reformulação de Garr mais tarde tornou-se a interpretação padrão da glossolalia entre a maioria dos pentecostais clássicos.

MISSÕES PENTECOSTAIS

A história de Garr serve como um maravilhoso ponto de entrada para a história da expansão do movimento pentecostal moderno no início do Século XX. Ele é apenas um dos pequenos exércitos que demonstraram um radical compromisso cristão em cumprir a Grande Comissão de Cristo para alcançar um mundo perdido. Como vimos no capítulo 2, o Espírito Santo foi ativo ao longo dos séculos cristãos e a renovação sempre tem sido uma característica da vida da igreja. Mesmo assim, não há dúvida de que o Século XX – o Século Carismático, como temos denominado – tem sido um período sem precedentes da renovação e expansão cristã. No centro disso, tem estado a atividade de missionários e obreiros pentecostais/carismáticos.

A história de Garr também nos leva de volta à discussão sobre as origens pentecostais e o significado do avivamento da Rua Azusa. Tal evento foi o ponto de partida para o movimento pentecostal moderno? Ou tal renovo teve múltiplos pontos de partida? Se for assim, onde isto posiciona a Apostolic Faith Mission na história pentecostal?

Enquanto o avivamento Calcutá associado com Garr foi claramente vinculado à Los Angeles, outro grande avivamento de proporções pentecostais estava acontecendo no sul da Índia, antes que ele e sua esposa chegassem. Este avivamento foi associado à Pandita Ramabai. Uma mulher notavelmente talentosa, Ramabai converteu-se e tornou-se uma ativista social na Índia, defendendo a causa de mulheres e crianças pobres. Próximo a Khedgaon, ela implementou a Mukti Mission, servindo mulheres e crianças e provendo moradia para prostitutas e órfãos em várias vilas. No verão de 1905 um avivamento irrompeu sob sua liderança que enfatizava o batismo no Espírito. O avivamento era caracterizado com manifestações sobrenaturais e profunda transformação naqueles que foram tocados pelo Espírito Santo.

1. The Apostolic Faith, Setembro de 1906, 4.

2. The Apostolic Faith, Setembro de 1906, 1.

3. Gary McGee, “The Calcuta Revival of 1907 and the Reformulation of Charles Parham’s ‘Bible Evidence’ Doctrine,” Asian Journal of Pentecostal Studies, 124. Queremos expressar nossa dívida à valiosa pesquisa de Gary McGee sobre a história das missões pentecostais. Este capítulo dependeu muito de sua obra.

4. McGee, “Calcuta”, 128.

5. Gary McGee, “Garr, Alfred Goodrich. SR.” NIDPCM, 660.

Categorias: Avivamentos,Batismo no Espírito

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