A EXPLOSÃO PENTECOSTAL | Parte 2 | Por Jack Hayford

Na primeira noite de avivamento, uma jovem que dormia em um quarto na Mukti Mission acordou para ver o que ela pensou ser fogo descendo sobre ela. A governanta do dormitório viu o fogo também e correu para pegar um balde de água antes de perceber que aquilo era uma manifestação do Espírito Santo. Logo, outras mulheres “estavam ajoelhadas, chorando, orando e confessando seus pecados.”1 As mulheres recém batizadas no Espírito começaram a exortar as outras ao arrependimento.

Em primeiro lugar, línguas não foram uma parte deste avivamento até 1906, quando muitas pessoas que foram batizadas no Espírito falaram em línguas, incluindo Minnie Abrams e muitos outros missionários ocidentais em Mukti. O avivamento foi centrado em oração por conversão e batismo no Espírito. Refletindo sobre o avivamento, Ramabai diz que “as meninas de Mukti oraram por mais de 29 mil pessoas pelo nome diariamente.” 2 O avivamento continuou em 1907, e considerando que ele precedeu a Rua Azusa, ele não foi influenciado pela idéia de línguas como evidência do batismo do Espírito, nem o avivamento de Ramabai viu o falar em línguas como xenoglossia. Além disso, eles consideraram o batismo do Espírito sem a necessidade de línguas.

O avivamento pentecostal na nação do Chile também foi independente da Rua Azusa, mas foi influenciado pelo avivamento de Ramabai. Minnie Abrams originalmente foi a Índia para trabalhar com a Igreja Metodista Episcoal, mas em vez disso, decidiu trabalhar com Ramabai. Depois do avivamento de 1906 irromper, ela escreveu um livro intitulado O Batismo do Espírito Santo e Fogo. Mais tarde, Abrams soube que um colega missionário da Igreja Metodista Episcopal, Willis Hoover, que servia no Chile, estava cada vez mais frustrado com o trabalho da igreja na nação sul-americana. Ela lhe enviou uma cópia do seu livro. Nas palavras de Gary McGee, o livro “adicionou a fagulha que provocou o grande movimento pentecostal…” quando em 1909, Hoover experimentou o batismo do Espírito e falou em línguas, o avivamento pentecostal chileno foi concebido.3 Apesar de claramente ter raízes no movimento wesleyano/holiness norte-americano, as igrejas pentecostais chilenas não foram produto do avivamento de Los Angeles.

Uma série de avivamentos se desencadearam na Coréia de 1903 até 1907, o que foi mais impulsionado ainda com as notícias do avivamento no País de Gales. Os avivamentos coreanos enfatizaram a importância da presença fortalecedora do Espírito Santo. Apesar de haver uma pequena menção sobre as línguas nos avivamentos coreanos, haviam numerosos milagres, curas e exorcismos. Reuniões naquela época atraiam centenas de pessoas, enchendo salões com um grande número de convertidos ao Cristianismo. Durante aquele tempo, pessoas afirmaram receber o batismo do Espírito Santo. Quando os pentecostais clássicos finalmente chegaram ma Coréia em 1928, através da missionária pentecostal americana Mary Rumsey, a peninsula coreana já estava preparada para receber a mensagem pentecostal.

Novamente é importante lembrar a importância que o avivamento de Welsh teve na Rua Azusa. Como já foi mencionado, as notícias amplamente difundidas do despertamento em Gales, criou uma expectativa pelo avivamento, motivando muitos cristãos a orarem. O historiador do avivamento, J. Edwin Orr, tem argumentado que Gales provocou toda uma série de avivamentos ao redor do mundo.4 É verdade que os eventos tanto em Topeka como em Los Angeles devem ser mantidos em perspectiva, mas deve-se reconhecer que todos os avivamentos pentecostais no início do século XX, não podem ser vinculados a ambos. Também é verdade que avivamentos de caráter pentecostal se precederam em muitos lugares. Não menos importante, foi o avivamento de 1831 na Escócia, associado ao pastor presbiteriano Edward Irving.

Contudo, é impossível conceber os movimentos pentecostal e carismático, como os conhecemos hoje, sem os avivamentos de Topeka e Los Angeles. Particularmente, a Rua Azusa tornou-se tanto uma plataforma de lançamento, quanto um símbolo para o emergente movimento pentecostal. Azusa impactou profundamente algumas pessoas-chave que impactaram outros tanto nos Estados Unidos quanto internacionalmente. Por exemplo, Gary McGee salienta que o maior impacto de Azusa em missões mundiais não foi sua influência direta, mas em pessoas que foram tocadas indiretamente. Muitas pessoas somente ouviram histórias do avivamento em Los Angeles e já foram intensamente influenciados por elas. O norueguês Thomas Ball Barrett ouviu sobre o avivamento de Azusa enquanto estava em Nova York em 1906. Ele foi batizado no Espírito Santo e se correspondeu com líderes da Rua Azusa e depois retornou para a Noruega. Barrett propagou o pentecostalismo por toda a Escandinávia e outras partes da Europa.

1. Gary McGee, “Minnie F. Abrams: Another Context, Another Founder” in James R. Goff and Grant Wacker, Portraits of a Generation: Early Pentecostal Leader, 87.

2. Gary McGee, “Ramabai, Sarasvati Mary (Pandita),” NIDPCM, 1016.

3. McGee, “Minnie F. Abrams,” 99.

4. J. Edwin Orr, The Flaming Tongue (Chicago: Moody Press, 1973).

Categorias: Avivamentos,Batismo no Espírito

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