Quando se é um “apóstolo”? – Parte 2

Primeira parte aqui.

A dobradiça

Como uma dobradiça para ligar o passado ao presente, vou agora considerar os dois textos que se referem a “falsos apóstolos”; eles são 2Coríntios 11:13 e Apocalipse 2: 2. 2Coríntios 11: 12-15— “Mas o que faço e farei é para cortar ocasião àqueles que a buscam com o intuito de serem considerados iguais a nós, naquilo em que se gloriam. Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em “apóstolos” de Cristo1. E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras.” É bom lembrar que nem Satanás nem os seus servos têm o hábito de aparecer com chifres e rabos. Só porque alguém “parece ser bom” não significa que ele seja. Precisamos de discernimento espiritual em todos os momentos. Note que Paulo afirma que tais pessoas são servos de Satanás e evidentemente se declararam “apóstolos”. Em nossos dias, temos uma verdadeira praga de autoproclamados “apóstolos” (que eu chamo de “apústulos“); Agora, quem você supõe que eles estão servindo?

Voltando ao título deste estudo, quando se é um apóstolo? Em Gálatas 1: 1, Paulo afirma que seu apostolado não era “da parte de homens, nem por intermédio de homem algum”, mas através do Pai e do Filho. O apostolado de Paulo não dependia da ordenação ou reconhecimento humano. Então, e o apostolado hoje? Em Romanos 1: 1 Paulo diz que ele é “chamado para ser apóstolo”. Eu entendo que os verdadeiros apóstolos não são ordenados pelo homem; eles são designados por Deus, que tem uma razão específica para isso. No caso de Paulo, foi “promover a obediência da fé entre todas as nações étnicas” (versículo 5). Qualquer apóstolo genuíno terá uma tarefa específica a cumprir. Embora Deus não leve de volta Seus dons (Romanos 11:29), um dom pode ser ignorado (porque a doutrina da igreja não permite isso), ou negligenciado (1Timóteo 4:14) e, portanto, abortado.

Muito pior, até mesmo um apóstolo que Jesus escolheu pessoalmente pode ser ‘rejeitado’ (1Coríntios 9:27). Se Paulo reconhecesse a possibilidade para si mesmo, o que dizer de todos os ‘apústulos‘ de nossos dias?

Em Apocalipse 2: 2 o Cristo glorificado está escrevendo para a igreja em Éfeso: “Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar homens maus, e que puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos;” O próprio Cristo glorificado declara que há falsos apóstolos (e isto no final do primeiro século), e que a igreja em Éfeso sabia como testá-los. Infelizmente, pelo menos do meu ponto de vista, não nos é dito como eles fizeram isso, os critérios que eles usaram. Há um texto que fala dos ‘sinais de um apóstolo’, 2Coríntios 12:12. “Pois as credenciais do apostolado foram apresentadas no meio de vós, com toda a persistência, por sinais, prodígios e poderes miraculosos.

Tanto Estevão como Filipe, “meros” diáconos, realizaram milagres, mas evidentemente não os transformaram em apóstolos. E depois tem as palavras do próprio Soberano Jesus em João 14:12. “Em verdade, em verdade vos digo2 que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará3, porque eu vou para junto do Pai.

Esta é uma declaração tremenda, e não um pouco desconcertante. Observe que o Senhor disse: “fará”; não ‘possivelmente’, ‘talvez’, ‘se você quiser’; e certamente não ‘se a doutrina de sua igreja permitir’! Se você crer, você fará! O verbo ‘crer’ está no tempo presente, na segunda pessoa do singular; se você está crendo você fará; segue-se que, se você não está fazendo, é porque você não está crendo. 2 + 2 = 4. Fazendo o que? “As obras que eu faço.” Bem, Jesus pregou o Evangelho, Ele ensinou, Ele expulsou demônios, Ele curou todos os tipos e tamanhos de doenças e enfermidades, Ele ressuscitou uma pessoa morta, e Ele realizou uma variedade de milagres (transformar água em vinho, andar sobre as águas, parar a tempestade instantaneamente, transportar um barco várias milhas instantaneamente, multiplicar comida, murchar uma árvore – e Ele insinuou que os discípulos deveriam ter parado a tempestade e multiplicado a comida, e Ele afirmou que eles poderiam murchar uma árvore [Pedro de fato deu alguns passos sobre a água]). Então, e quanto a nós? Com a pregação e o ensino podemos lidar, mas e o resto? Eu ouvi o presidente de uma certa universidade cristã afirmar que este versículo obviamente não poderia significar o que diz porque isto não está acontecendo! Bem, em sua própria experiência, e na de seus associados (todos cessacionistas), eu acho que não está. Mas muitas pessoas hoje expulsam demônios e curam, e eu pessoalmente conheço alguém que ressuscitou uma pessoa morta. Milagres também estão acontecendo. Então, e eu? E você? Mas, voltando às “credenciais do apostolado”, se todos nós supostamente estamos operando milagres, isso não nos torna todos apóstolos, então devem haver mais critérios. (Por favor, note o ‘mais’, eu não estou negando os ‘sinais’.)

Sugiro que devemos considerar a questão da autoridade espiritual, e começo com 2Coríntios 10: 8 e 13:10. 10: 8 diz assim: “Porque, se eu me gloriar um pouco mais a respeito da nossa autoridade, a qual o Senhor nos conferiu para edificação e não para destruição vossa… ”13:10 diz assim: “Portanto, escrevo estas coisas, estando ausente, para que, estando presente, não venha a usar de rigor segundo a autoridade que o Senhor me conferiu para edificação e não para destruir”. Em ambos os versos, Paulo declara que a autoridade é para edificar e não derrubar, embora sua menção ao trato severo indique que tal pode ser incluído no processo, como as circunstâncias podem exigir. (De fato, em pelo menos duas ocasiões, Paulo realmente entregou alguém a Satanás! – 1Coríntios 5: 5 e 1Timóteo 1:20.)

Não é isso que devemos depreender de 1Timóteo 1: 3? “Quando eu estava de viagem, rumo da Macedônia, te roguei permanecesses ainda em Éfeso para admoestares a certas pessoas, a fim de que não ensinem outra doutrina. . . ” A igreja estava bem estabelecida em Éfeso, mas Timóteo tinha autoridade para comandar; Suponho que Paulo o tenha designado como seu vice. E que tal 1Timóteo 5: 19-20? “Não aceites denúncia contra presbítero, senão exclusivamente sob o depoimento de duas ou três testemunhas. Quanto aos que vivem no pecado, repreende-os na presença de todos, para que também os demais temam”. Evidentemente, Timóteo tinha autoridade sobre os anciãos, sendo competente para repreendê-los publicamente.

Agora, observe Jeremias 1: 10— “Olha que hoje te constituo sobre as nações e sobre os reinos, para arrancares e derribares, para destruíres e arruinares e também para edificares e para plantares.” Claro que isto foi antes da Igreja, mas há um princípio aqui que permanece válido. Se você planeja construir em um terreno coberto de ruínas e entulho, por onde começar? Você deve remover os destroços. Se Deus enviou você para a igreja em Laodicéia (Apocalipse 3: 14-19), para tentar endireitar isso, onde você teria que começar? Você pode ter que depor os líderes, bem como denunciar o erro. Presumivelmente, também, você teria que ser capaz de estabelecer sua autoridade sobre eles. No caso de Timóteo, Paulo supostamente cuidou disso.

1Sempre houveram aqueles que querem “entrar no carro”, para pegar uma carona; que trafegam em coisas espirituais para vantagem pessoal e temporal. Como essas pessoas só causam danos, o desejo de Paulo de expô-las decorre de sua preocupação com o bem-estar dos coríntios.

2“Em verdade, em verdade” é na verdade “amém, amém” – apresentado como “verily, verily” no AV. Somente João registra a palavra como repetida, nos outros Evangelhos é apenas “amém”. Na literatura contemporânea, não temos nenhum exemplo de alguém que use a palavra dessa maneira. Parece que Jesus cunhou seu próprio uso, e o ponto parece ser chamar a atenção para um importante pronunciamento: “Pare e ouça!” Freqüentemente precede uma declaração formal de doutrina ou política, como ocorre aqui.

3Bem, se expulsarmos demônios, curarmos e realizarmos milagres, isso não é suficiente? Jesus quer mais, Ele quer “coisas maiores” do que as que acabamos de mencionar. Observe novamente que Ele disse “fará”, não talvez, ou se sua igreja permitir. Mas o que poderia ser “maior” que milagres? Isso não pode se referir à tecnologia moderna porque, nesse caso, essas “coisas maiores” não estariam disponíveis aos crentes durante os primeiros 1900 anos. Note que a chave está na declaração final do Senhor (no versículo 12), “porque eu estou indo para o meu Pai”. Somente se Ele vencesse poderia retornar ao Pai, então Ele está aqui declarando sua vitória antes do fato. É com base nessa vitória que as “coisas maiores” podem ser realizadas. Apenas quais são essas coisas “maiores”? Para minha resposta, veja meu esboço, “Biblical Spiritual Warfare” (Guerra Espiritual Bíblica), disponível em www.prunch.org.

PARTE 3 na próxima semana.

Categorias: Estudos Bíblicos (AT/NT)

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